O líder do Comité Supremo para a Recolha de Armas no Sudão anunciou ontem (16) o início de uma campanha de “recolha forçada de armas” nas mãos dos cidadãos, estimadas em quatro milhões, numa medida para desarmar a população civil.

“A campanha para apreender armas não vai parar até que as armas sejam recolhidas das mãos dos cidadãos”, disse o tenente-general Abdul Hadi Abdullah durante uma conferência de imprensa, na qual explicou que a população civil tem na sua posse armas ligeiras, médias e pesadas.

Os militares disseram que a campanha durará cerca de duas semanas e, embora “não existam estatísticas” sobre o número de armas, estimam que possam ascender a “quatro milhões” espalhadas pelos 18 estados do Sudão.

Neste sentido, explicou que estas armas foram introduzidas no Sudão de “várias formas”, devido à falta de segurança nos países vizinhos, especialmente na Líbia, Etiópia e Sul do Sudão, exacerbada por conflitos tribais no país e que desempenhou um papel importante na proliferação de armas nos últimos anos.

Em setembro passado, o exército sudanês anunciou a destruição de 300.000 armas apreendidas durante uma campanha de desarmamento civil de três anos, lançada após um pico de violência tribal no país em maio.

De acordo com a organização de investigação Small Arms Survey, com sede em Genebra, em 2017 existiam 2,76 milhões de armas no Sudão detidas ilegalmente.

No mesmo ano, as autoridades iniciaram uma campanha para apreender armas e veículos não registados nos conturbados estados de Kordofan e da região de Darfur, o cenário de um conflito sangrento que entre 2003 e 2008 deixou cerca de 300.000 pessoas mortas, de acordo com as Nações Unidas.

Em muitos estados sudaneses, especialmente nos estados orientais que fazem fronteira com a Eritreia e a Etiópia, e na região ocidental de Darfur, que tem sofrido uma guerra civil desde 2003, é comum que as pessoas tenham armas nas suas casas.