Milhares de pessoas regressaram ontem (05) aos protestos nas ruas de várias cidades argelinas, incluindo a capital, Argel, para exigir a queda do regime militar que domina o país desde a guerra de independência com a França.
Ontem (05) foi a segunda sexta-feira consecutiva em que o movimento popular de oposição, o designado , voltou às ruas, desde que os protestos foram interrompidos há cerca de um ano devido à pandemia do novo coronavírus.
Apesar das restrições sanitárias e da presença policial, os manifestantes protestaram em Argel e cidades como Bejaia, Tizi Ouzou, Constantina, Annaba e Orán com a frase habitual “Querermos um Estado civil, não militar”, “Que a máfia do poder se vá embora” e “Liberdade opara todos os presos de consciência”.
Em Argel, vigiados por unidades antimotim, polícias, agentes dos corpos especiais da polícia e centenas de agentes secretos, infiltrados à paisana, os manifestantes percorreram o centro da capital, como o faziam todas as terças e sextas-feiras, desde o início dos protestos em fevereiro de 2019, para impedir que o então presidente, Abdelaziz Bouteflika, concorresse a um quinto mandato consecutivo.
Conseguido este objetivo, as manifestações prosseguiram e viraram-se contra o regime, que as procurou reprimir por todos os meios. Às reivindicações habituais, os manifestantes acrescentaram hoje a denúncia de torturas praticadas sobre os presos. Ontem mesmo o Alto Comissariado para os Direitos Humanos (ACDH) da ONU exigiu às autoridades argelinas que terminem de imediato a violência contra os manifestantes pacíficos e o fim das detenções arbitrárias.
“Estamos muito preocupados pela deterioração da situação dos direitos humanos na Argélia e pela contínua repressão contra os membros do movimento pró-democrático do ‘Hirak'”, declarou Rupert, um porta-voz do Alto Comissariado na habitual conferência de imprensa da ONU em Genebra.
O porta-voz aludiu a “relatórios credíveis” que indicam que perto de mil pessoas foram perseguidas por terem participado no movimento do ‘Hirak’ ou por terem publicando nas redes sociais mensagens críticas face ao Governo.















