Os ataques armados na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, já obrigaram à fuga de 74.149 alunos, em três anos de conflito, tendo sido assassinados seis professores, disse na quinta-feira (19), a ministra da Educação e Desenvolvimento Humano, Carmelita Namashulua.

A governante referiu-se ao impacto da violência armada na educação, em sessão de respostas e perguntas na Assembleia da República.

Os números apresentados pela ministra fazem parte do total de 500.000 deslocados devido ao conflito, segundo dados oficiais do Governo, estimando-se que cerca de metade sejam menores de 18 anos, à semelhança da pirâmide etária do país e da província de Cabo Delgado.

“A ação de terroristas está a provocar pressão sobre as infraestruturas e serviços de educação”, afirmou Carmelita Namashulua.

A governante avançou que 1.125 professores também foram obrigados a abandonar as áreas onde lecionavam nos distritos afetados pela violência em Cabo Delgado.

A situação resultou igualmente na destruição total de 45 escolas e de quatro sedes dos serviços distritais de educação naquela província.

A ministra da Educação e Desenvolvimento Humano explicou que os serviços de educação das zonas de acolhimento dos deslocados de guerra foram orientados para a integração dos alunos que fugiram do conflito armado em Cabo Delgado.

Carmelita Namashulua também falou dos efeitos dos ataques armados protagonizados pela Junta Militar, uma dissidência armada da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, nas províncias de Manica e Sofala, centro de Moçambique.

Namashulua disse que a ação da junta provocou o deslocamento de 3.086 alunos e 131 professores na província de Manica.

A governante não mencionou o impacto da violência na província de Sofala.

Dos alunos obrigados a fugir da violência em Manica, 600 estão abrigados em centros de acolhimento e os restantes vivem em casas de familiares.

A violência armada em Cabo Delgado dura há três anos e está a provocar uma crise humanitária com cerca de 2.000 mortes e 500.000 pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos suficientes – concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

Os ataques da autoproclamada Junta Militar da Renamo têm afetado estradas e povoações de Manica e Sofala, tendo provocado a morte de, pelo menos, 30 pessoas na região desde agosto do último ano.