O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, disse que está determinado a impedir uma crise da dívida, prometendo medidas para controlar a subida da dívida pública na economia mais industrializada da África subsaariana.

Estou certo que vamos conseguir fazer descer os nosso níveis de dívida e evitar aquilo a que se poderia chamar uma crise da dívida porque estamos focados”, garantiu o chefe de Estado, que acumula também a presidência rotativa da União Africana, numa entrevista à televisão da Bloomberg, à margem de um fórum sobre investimento que decorreu na quarta-feira em Joanesburgo.

“Um país que precisa de crescer precisa de reduzir a sua dívida”, apontou o chefe de Estado na entrevista, repetindo os alertas feitos pelo ministro das Finanças sobre a insustentabilidade do nível de endividamento a necessidade de achatar a curva de crescimento, em que o rácio da dívida sobre o PIB está previsto subir para 95,3% do PIB até 2026.

O aumento da dívida pública é uma consequência não só das medidas de combate à pandemia de covid-19, mas também veio agravar algumas fragilidades já existentes, em países como a África do Sul, Angola ou Zâmbia, que foi o primeiro país a entrar em Incumprimento Financeiro em contexto de pandemia.

Duramente afetada pela pandemia, a África do Sul conseguiu, na conferência, atrair cerca de seis mil milhões de euros, em particular nos setores afetados pela crise económica provocada por aquela, anunciou Cyril Ramaphosa, que admitiu que a pandemia deixou a economia sul-africana “gravemente afetada” e com uma taxa de desemprego em níveis recorde.

Segundo a agência de estatísticas do país (StatsSA), o país mais industrializado do continente viu o seu produto interno bruto (PIB) cair 51% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2019, e o Governo prevê uma recessão de 7,2% do PIB este ano.

Durante a primeira conferência sobre o investimento, em 2018, Ramaphosa fixara como objetivo atrair 65,5 mil milhões de euros em cinco anos.

Este mesmo montante de investimento é a meta para os próximos cinco anos e foi formulada na Conferência de Investimento Sul-africana que, promovida pelo Governo, decorreu em Joanesburgo com a presença física de cerca de 175 delegados e mais de mil registados, que acompanham o evento online.

“Participam porque acreditam na história da África do Sul, que é uma história de renovação, uma história de um país que não apenas se ergue da devastação do coronavírus, mas é um país determinado a avançar, a crescer, a criar empregos e a proporcionar ao seu povo uma vida melhor”, afirmou Ramaphosa, num discurso proferido no fórum.

A conferência deste ano corresponde à terceira edição do evento anual e surge num momento-chave, quando o governo sul-africano procura lançar bases para a reconstrução da segunda maior economia de África.

O contexto em que decorre é também relevante por acontecer nas vésperas da entrada em vigor do Acordo de Comércio Livre do Continente Africano (AfCFTA, na sigla em inglês), prevista para janeiro, na sequência do atraso imposto este ano pela pandemia de covid-19.

“O continente africano está no limiar de uma nova era”, sublinhou Ramaphosa, antes de recordar que a futura maior região do mundo sem barreiras comerciais inclui um mercado de cerca de 1,3 mil milhões de pessoas e um produto interno bruto (PIB) combinado de cerca de 2,3 biliões de dólares (quase 1,95 biliões de euros).

O continente africano ultrapassou hoje a barreira dos dois milhões de infetados com o novo coronavírus, com a covid-19 a causar 48.408 mortos, informou o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (CDC África).

Desde que a primeira infeção continental foi detetada a 14 de fevereiro no Egito, os 55 estados membros da União Africana acumularam 2.013.388 casos. Destes, 1.703.498 pacientes recuperaram.

O epicentro continental da pandemia continua a ser a África do Sul, com 757.144 casos e 20.556 mortes, de acordo com os últimos dados oficiais.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.339.130 mortos resultantes de mais de 55,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.