A organização armada islâmica talibã declarou apoiar a candidatura de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas de 2020. 

O grupo, que governou o Afeganistão entre 1996 e 2001 antes da invasão dos Estados Unidos, deseja que o atual Presidente norte-americano renove o mandato, para cumprir a promessa de retirar todas as tropas de território afegão: “Esperamos que [Trump] ganhe as eleições e que vá acabando com a presença militar norte-americana no Afeganistão”, disse um porta-voz da organização militar à cadeia televisiva CBS.

Este apoio a Trump surge após o acordo que os Estados Unidos assinaram com os talibãs, depois de 18 anos de conflito, em fevereiro de 2020. O Presidente norte-americano decidiu retirar todas as tropas num prazo de 14 meses, desde que a organização islâmica consiga manter a promessa de que outros grupos armados não atentem contra os interesses norte-americanos e dos seus aliados.

Achamos que a maior parte do povo norte-americano está cansado da instabilidade, dos fracassos económicos e das mentiras dos políticos e que confiará de novo em Trump, porque Trump é capaz de decidir, pode controlar a situação dentro do país. Outros políticos, como [Joe] Biden lançam slogans irreais”, disse Zabibullah Mujahid, porta-voz talibã, à CBS.

Não há nenhuma menção, no acordo, que informe em que data é que os EUA vão retirar as tropas de território afegão, mas Donald Trump lançou um tweet, na passada quinta-feira, em que refere que a “pequena quantidade de homens e mulheres corajosos que estão no Afeganistão” devem estar em casa “pelo Natal”. No entanto, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, Mark A. Milley, veio colocar um entrave ao calendário estipulado por Trump, dizendo, em entrevista à NPR, que o plano “tem condicionantes” e que espera ainda “discutir as condições e garantir que elas são cumpridas”.

O Afeganistão continua em guerra. Ainda no passado domingo, a província de Helmand foi palco de ataques por parte dos talibãs — ação que vai contra o acordo assinado com os EUA em fevereiro de 2020. O comandante das forças norte-americanas e da NATO no Afeganistão, o General Austin S. Miller, apelou a que os talibãs “parem imediatamente as suas ações ofensivas em Helmand e reduzam a violência em todo o país”.