Professores da Escola Primária Completa de Singathela, na Matola, denunciam alegados actos de corrupção e humilhação supostamente protagonizados pela directora que dirige a instituição há 14 anos. O assunto já foi encaminhado ao Gabinete Central de Combate à Corrupção e está a merecer atenção da Direcção Provincial da Educação e Desenvolvimento Humano.

Os denunciantes relatam que a directora não usa de forma clara o dinheiro proveniente do arrendamento de uma cantina existente na escola, assim como o dinheiro que uma determinada operadora de telefonia móvel canaliza por conta da ocupação do espaço onde foi erguida uma torre de comunicação. No dia 10 do mês em curso foram elaboradas e submetidas duas cartas: uma dirigida à Ministra da Educação e Desenvolvimento Humano e outra para o Gabinete Central de Combate à Corrupção.

Os professores dirigiram-se à escola, na terça-feira 15, para uma reunião, o que não aconteceu, porque a directora suspeita de má gestão não compareceu. O professor Santíssimo Januário é um dos que aceitou dar a cara pelos colegas e relatou o ambiente vivido naquele estabelecimento de ensino na Matola. “Aqui há muitos problemas, muitos problemas, desde a assinatura de cheques com pessoas que não fazem parte do Conselho de Escola, distribuição do livro sem o consentimento do Conselho de Escola. Também o dinheiro de certificado que é cobrado varia consoante as aparências da pessoa, então, face a isso, os colegas questionaram e ela. A Directora não quis ceder e começou a fazer perseguições severas e pelas ameaças que existem aqui os colegas não querem dar a cara. Eu cheguei a dar cara porque estou a sofrer ameaças de morte e sequestro”, relatou o professor Santíssimo, que disse ser urgente que as autoridades competentes tomem medidas.

Celeste Cossa é vice-presidente do Conselho da Escola, em representação da comunidade. A mulher diz ser lamentável que a escola não evolua enquanto os pais fazem regularmente contribuições e todas essas situações são imputadas à directora daquela escola.

“Veio o dinheiro de Apoio Directo às Escolas (ADE), que temos direito de 30%, mas não nos dá. Temos o dinheiro da antena e não nos dá. Há também o dinheiro da renda da cantina e não nos dá. Não colabora connosco e não sabemos quanto dinheiro chega aqui, e ela pede nossas assinaturas e nós recusamos a assinar documentos por desconhecer os assuntos”.

Em contacto telefónico, a directora da EPC de Singathela disse que não tinha autorização para falar sobre o que está a ocorrer no seu posto de trabalho e, segundo suas palavras, é tudo falso o que se diz sobre ela. Verdade ou não, a Inspecção da Educação já foi activada e vai trazer os resultados. Silvestre Dava, Porta-voz da Direcção Provincial da Educação, disse, em entrevista, que tomou conhecimento através deste jornal e garantiu que a inspecção já vai ao terreno para aferir a veracidade dos factos.

“Depois que tomamos conhecimento através de vós, encetamos diligências no sentido de perceber o que estava a acontecer. E entendemos que o assunto é muito novo. O que foi feito logo a seguir foi mobilizar a equipa de inspecção para aprofundar a percepção deste assunto para que, de facto, se dê o seguimento”.