O Governo dos Países Baixos anunciou na sexta-feira que vai processar a Rússia perante o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) “pelo seu envolvimento na destruição do voo MH17”, abatido em 2014 quando sobrevoava a Ucrânia.

A decisão destina-se a apoiar os casos individuais apresentados neste tribunal europeu por familiares das 298 pessoas, na maioria holandeses (196), que seguiam a bordo do avião que fazia a ligação Amsterdão–Kuala Lumpur e não sobreviveram à queda do aparelho.

“Prestar justiça às 298 vítimas da explosão do voo MH17 é e permanecerá a mais alta prioridade do Governo”, declarou em comunicado o ministro dos Negócios Estrangeiros holandês, Stef Blok.

O voo MH17, um Boeing 777 da companhia aérea Malaysia Airlines, despenhou-se em 17 de julho de 2014 quando sobrevoava um território controlado por separatistas pró-russos no leste ucraniano, cenário de um conflito armado.

A Rússia tem negado envolvimento na queda do avião.

No entanto, a equipa internacional de procuradores que está a julgar à revelia três russos e um ucraniano por envolvimento no derrube do avião indicou que o sistema de mísseis Buk utilizado foi transportado para a Ucrânia a partir de uma base russa em Kursk, e que o sistema de lançamento foi posteriormente devolvido à Rússia.

Em meados de Novembro passado a equipa de investigadores internacionais, liderada pelos Países Baixos, tinha revelado “novas conversas telefónicas gravadas entre líderes separatistas da autoproclamada República Popular de Donetsk [no leste ucraniano] e altos responsáveis russos” e que apontam para contactos muito frequentes entre a Rússia e os rebeldes separatistas ucranianos.