Um norte-americano que alegou ter várias empresas a precisar de ajuda para pagar ordenados e outras despesas recebeu subsídios de mais de 3,9 milhões de dólares (3,312 milhões de euros) ao abrigo de um programa criado para apoiar as empresas durante a pandemia.

Com esse dinheiro, comprou um Lamborghini e fez outros gastos de luxo e de natureza pessoal, incluindo em sites de encontros.

Tendo o esquema sido descoberto, David Hines, de 29 anos, acabou detido no final da semana passada e foi agora presente a tribunal, ficando em liberdade sob fiança. As autoridades apreenderam três milhões nas suas contas, e ele enfrenta acusações de fraude bancária e declarações falsas, arriscando uma pena de cadeia que pode chegar aos 70 anos.

O programa designado por Paycheck Protection Program (programa de protecção de salários) visa apoiar os gastos das empresas com pessoal, renda e outras despesas fixas. Hines garantia ter 70 empregados, distribuídos por quatro empresas, e pediu um total de subsídios superior a 13 milhões, conseguindo obter cerca de um terço desse montante.

Na realidade, nenhum dinheiro parece ido para ordenados – o que, a ter acontecido, poderia levar ao perdão do reembolso dos subsídios, nos termos do programa. Além do Lamborghini, que lhe custou 318 mil dólares, Hines gastou em hotéis, lojas de luxo (entre elas, a famosa Saks Fifth Avenue), jóias, etc.

Segundo um inspetor do serviço postal citado pelo “Miami Herald”, os alegados empregados “ou não existiam ou ganhavam uma fracção do que Hines reclamou nas suas candidaturas ao PPP”, tendo ele cometido uma fraude de milhões de dólares numa altura dramática para a economia e para milhões de pessoas.

O advogado de Hines respondeu através do Washington Post: “David é um empresário legítimo que, tal como milhões de americanos, sofreu financeiramente durante a pandemia. Embora as alegações pareçam bastante sérias, em especial à luz da pandemia, David está ansioso por contar o seu lado da história quando o momento chegar”.

Desde a sua criação, o PPP tem estado envolvido em fraudes de vários tipos. Nalguns casos, por as empresas que se candidatam a ele não preencherem os requisitos necessários. Noutros, por o dinheiro ser obtido com falsas declarações ou ser gasto em despesas inadmissíveis, como terá acontecido com Hines e com uma estrela de reality show que gastou dinheiro em jóias e num Rolls-Royce.