O antigo deputado da Renamo, Sandura Ambrósio, detido a 14 de Janeiro e indiciado de crime de conspiração contra o Estado, foi transferido na quinta-feira, 23, das celas da Policia para a cadeia central de Sofala, apurou a VOA.

Sandura foi detido após ser emitido contra ele um mandado de captura judicial por alegado financiamento a autoproclamada Junta Militar da Renamo, um grupo de dissidentes do maior partido da oposição a quem são atribuídos os ataques armados no centro de Moçambique.

O também antigo dirigente da Renamo reiterou hoje ser inocente, sustentando que nunca chegou a financiar um único, dos vários, pedidos de elementos ligados à autoproclamada Junta Militar da Renamo.

“Sou inocente”, precisou Sandura Ambrósio durante a transferência para a cadeia civil, insistindo: “onde está esse dinheiro para dar a (autoproclamada) Junta Militar?”

“O que me faz estar preso é simplesmente por alguém me ter pedido dinheiro e eu não ter dado este dinheiro”, acrescentou.

Sandura Ambrósio é o único ex-deputado da Renamo preso, de todos os deputados e antigos deputados da Renamo arrolados como suspeitos de terem ligação e financiar a autoproclamada Junta Militar da Renamo, liderada por Mariano Nhongo, um antigo estratega militar do líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

Na segunda-feira, 21, Sandura Ambrósio e Manuel Bissopo, antigo secretário-geral da Renamo, foram ouvidos e na terça-feira, Elias Dhlakama, irmão mais novo de Afonso Dhlakama, também foi ouvido no âmbito do mesmo processo na Procuradoria-Geral, em Maputo.

Contudo, as autoridades judiciais de Sofala consideram haver indícios suficientes para a privação da liberdade do ex-deputado.

Mário Tamele, investigador chefe dos Serviços de Investigação Criminal de Sofala que liderou a operação de detenção de ex-deputado, garantiu que as ligações do Ambrósio ao grupo de dissidentes vêm sendo seguidas há bastante tempo.

“Há dados colectados no âmbito da investigação e das informações que vêm sendo trabalhadas, achou-se que haviam indícios suficientes, que pudessem levar a sua detenção”, disse Tamele.

No âmbito deste processo já foram também ouvidos na Procuradoria-Geral da Republica os deputados António Muchanga, José Manteigas e a antiga chefe da bancada na Assembleia da Republica, Ivone Soares.