O Presidente da República, Filipe Nyusi, disse ontem (22)  ser necessário dar um novo impulso ao processo de reintegração de ex-guerrilheiros da Renamo dado que há potenciais doadores financeiros para o processo que estão “impacientes”.

“Temos de falar rapidamente com a Renamo porque há impaciência dos que querem apoiar para poderem libertar os valores e apoiarem a reintegração”, referiu aos jornalistas em Londres, após a cimeira Reino Unido – África, em declarações transmitidas pela Televisão de Moçambique (TVM).

Dos contactos que tem mantido, incluindo à margem da cimeira realizada na segunda-feira, indica que “quase toda a gente” tem interesse em apoiar o processo de desmilitarização, desarmamento e reintegração (DDR) na sociedade.

Filipe Nyusi apontou como exemplo o Governo britânico, o Banco Mundial, a União Europeia (UE), o Canadá, bem como “outros países, incluindo africanos e organizações internacionais”.

O grupo que organiza a reintegração “está a trabalhar e agora terá de puxar mais um pouco [pelo cronograma], porque há essa impaciência dos que nos querem apoiar”, sublinhou.

Sejam países ou outras organizações, são doadores que “têm planos anuais e não vão empatar o dinheiro que podem investir noutras actividades”, acrescentou.

O Presidente da República explicou, contudo, que ainda não foram pedidos desembolsos aos doadores porque falta informação credível sobre os ex-guerrilheiros a reintegrar.

“Pretendemos saber quem é quem: existem quantas pessoas, quais são e fazem o quê”, apontou.

“É verdade que tem havido a tendência de apontar números” que até estão “acima” do efectivo “do exército moçambicano, em todos os tempos”, o que causa perplexidade, assinalou.

“[Os doadores] até dizem que nos países deles [o efectivo militar] não é daquele tamanho, quando dizemos que temos 1.000 generais e quando o próprio país que nos apoia não tem 40″, ilustrou.

Filipe Nyusi considera que é necessário dar um impulso ao processo com “informação lógica e credível”.

O processo de DDR faz parte do processo de paz que culminou com um acordo assinado em 06 de Agosto entre Filipe Nyusi e o presidente da Renamo, Ossufo Momade.

Lusa