A Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos de Moçambique alertou ontem (19) para a subida dos rios Licungo, Búzi e Púngue, neste fim de semana, devido às chuvas, que podem afectar mais de 50 mil pessoas no centro do país.

“Caso a chuva seja acompanhada de ventos fortes, esse número pode ser superado”, disse hoje à Lusa, Agostinho Vilanculos, da Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH).

A intempérie deverá atingir principalmente as províncias de Zambézia e Sofala.

Segundo a fonte, a chuva que se regista nos últimos dias e que continua a cair poderá aumentar o nível da água na bacia hidrográfica de Búzi e Púngue, além de causar inundações na cidade da Beira, na província de Sofala.

“As bacias hidrográficas vão transbordar e afectar as zonas baixas do distrito de Búzi e Nhamatanda [zonas próximas das bacias] e são estes que estão em alerta máximo”, referiu.

São as mesmas zonas que foram afectadas há 10 meses pelo ciclone Idai.

Para a província da Zambézia prevê-se o aumento do nível da água do rio Licungo e inundações na cidade de Quelimane, o que deverá condicionar a transitabilidade nos distritos de Namacurra, Maganja da Costa e Mocuba.

O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades já retirou cerca de duas mil pessoas das zonas críticas das margens do rio Licungo, tendo reassentado um total de 455 que viviam nas zonas baixas daquela região.

Além do centro do país, a DNRH alertou para inundações de regime moderado nas cidades da Matola e Maputo deixo à previsão de chuva.

Entre os meses de Novembro e Abril, Moçambique é ciclicamente atingido por ventos ciclónicos oriundos do Índico e por cheias com origem nas bacias hidrográficas da África Austral.

Na época chuvosa em curso, desde Outubro, um total de 54.909 pessoas já foram afectadas, 12 morreram e outras 53 ficaram feridas devido aos efeitos de tempo adverso, indicou o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades.

No total, durante o período chuvoso de 2018/2019, 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas de dois ciclones (Idai e Kenneth) que se abateram sobre o país.

Lusa