As alterações climáticas estão na ordem do dia e trazem a lume os erros cometidos pelo homem. Em Moçambique, o aumento do nível das águas do mar faz antever um novo drama e por responsabilidade também do homem que se foi aproximando do oceano.

O crescimento populacional e o desenvolvimento dos aglomerados habitacionais precipitou um desfecho agora inevitável, como aquele que se está a assistir no Bairro dos Pescadores da Costa do Sol, em Maputo.

Daniel Oliveira, coordenador técnico da organização Justiça Ambiental explica que a estrada marginal “era uma duna, que tinha de um lado o mar e do outro mangais” e que a pressão urbanística fez com que os mangais dessem lugar a construções. Daniel Oliveira deixa um alerta: “Vamos ter sempre tempestades e cheias. O problema é que a magnitude está a aumentar, a frequência é maior e é cada vez menos previsível quando e como podem acontecer”.

O homem foi construindo onde podia e onde não devia. Os mangais – que, e para além de muitas outras coisas, protegem a costa da erosão marítima e são uma barreira contra a força das águas, acabaram por ser sacrificados. As repercussões da intervenção humana são claras e inquietantes.

Um habitante, Jonas Paulo, de 44 anos, diz que “a água do mar respirava e agora já não consegue. (…) quando as marés crescem, às vezes, chegam às casas”, acrescenta. Bernardo Nhampule, outro morador, de 50 anos, teme as ondas gigantes e desabafa: “Já sofremos bastante, nós que moramos lá ao pé dos mangais, coisas que não tínhamos sofrido dantes”.

Os mangais que deram lugar a casas e a estradas. As autoridades colocaram toneladas de blocos de pedra na praia, à entrada do bairro, para tentar impedir as ondas de avançarem mas com o início da época das chuvas as recordações da onda de destruição deixada pelo ciclone Idai voltam a ser reavivadas e a incerteza regressa a Moçambique um dos países que é, pela sua geografia e localização, um dos mais vulneráveis às alterações climáticas.

msn