O Tribunal Judicial de Chókwè exige um valor total de 720 mil meticais para a libertação provisória dos 18 membros da Nova Democracia detidos no dia das eleições em Moçambique, disse ontem à Lusa fonte partidária.

“Eles definiram um valor de 40 mil meticais por pessoa. É um valor muito elevado para nós e estas são pessoas de baixa renda e boa parte delas ainda frequenta a escola”, disse Quitéria Gueringuane, mandatária nacional do partido Nova Democracia (oposição).

Em causa está a detenção de 18 membros do Nova Democracia, 17 dos quais delegados de candidatura e um mandatário distrital, no dia do escrutínio das sextas eleições gerais (15 de Outubro) em Chókwè, província de Gaza, alegadamente por falsificação de credenciais.

O valor, que deverá ser pago nos próximos cinco dias, foi anunciado pelo tribunal distrital, numa reunião que juntou advogados de defesa e representantes do Ministério Público, da Polícia e dos órgãos eleitorais no distrito de Chókwè, na província de Gaza.

Os membros do partido Nova Democracia estão detidos em Xai-Xai, capital provincial de Gaza, Sul do país.

A mandatária de candidatura do ND disse que o partido vai tentar mobilizar o valor, tendo em conta que faltam poucas semanas para o encerramento do ano judicial.

“Mesmo cientes de que esta prisão é ilegal, nós vamos procurar mobilizar o valor. Não queremos que o ano judicial feche com os nosso membros detidos”, acrescentou a mandatária da Nova Democracia.

Várias organizações moçambicanas e internacionais têm pedido às autoridades moçambicanas a libertação imediata e incondicional dos 18 membros do partido da Nova Democracia, tendo algumas delas já visitado os membros daquela formação política na prisão.

As eleições gerais e provinciais de 15 de Outubro deram vitórias com maioria absoluta em todos os círculos e votações à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) e ao seu candidato presidencial, Filipe Nyusi – obtendo mais de 90% em Gaza, onde conquistou todos os 22 deputados para o parlamento, confirmando a província como um dos seus tradicionais redutos.

Lusa