A caótica e questionada apuração dos votos na Bolívia transformou o país numa panela de pressão prestes a explodir.
A interrupção da apuração rápida durante quase um dia e sua repentina reactivação, com resultados que deixam Evo Morales à beira de uma vitória sem necessidade de segundo turno, desataram duros protestos nas principais cidades do país.
O principal candidato de oposição, o ex-presidente Carlos Mesa, convocou seus seguidores a exercerem pressão nas ruas e qualificou o processo eleitoral de “fraude escandalosa”.
Também a Organização dos Estados Americanos (OEA) semeou suspeitas sobre os dados e questionou a “mudança inexplicável de tendência”. A União Europeia também manifestou “sérias preocupações” sobre a apuração, e o Governo da Espanha considerou que “em nome de preservar a credibilidade” as autoridades devem garantir a transparência e o respeito aos procedimentos. A Administração de Donald Trump foi além. Um representante do Departamento de Estado acusou o aparato governista de tentar “subverter a democracia”.
Milhares de cidadãos saíram às ruas em La Paz, Santa Cruz — onde houve barricadas e convocação de greve — Cochabamba, Potosí e Sucre. As passeatas terminaram em confronto, episódios de violência e repressão policial, com vários feridos. Os manifestantes queimaram, invadiram e queimaram duas sedes de tribunais eleitorais departamentais. O Tribunal Supremo Eleitoral e suas delegações se transformaram no pomo da discórdia nestas eleições. Foi esse órgão que, no domingo à noite, começou a transmitir os resultados e, depois de projectar um cenário de segundo turno entre Morales e Mesa, interrompeu a comunicação da apuração, alegando um conflito informático do sistema.
Reuters
















