O líder dos homens armados da Renamo que contesta a liderança do partido recusou na segunda-feira (05) entregar as armas no quadro do acordo de paz assinado com o Governo sem que seja eleito um novo presidente da formação política.

“Nós vamos eleger o nosso presidente e só depois é que vamos entregar as armas”, disse Mariano Nhongo, citado pela Lusa, que deixou um aviso ao governo e ao actual líder do partido, Ossufo Momade: “Não (nos) enganem, os militares estão do meu lado”.

Falando em teleconferência a partir de Gorongosa para jornalistas na cidade da Beira, centro do país, o líder do grupo autoproclamado Junta Militar da Renamo disse que o acordo assinado na quinta-feira pelo chefe de Estado, Filipe Nyusi, e por Ossufo Momade serve para “enganar o povo”, na medida em que o braço armado da Renamo não vai entregar as armas sob liderança do actual presidente do partido.

“A assinatura (de um acordo) é coordenação. Não é só pegar numa caneta e assinar. Está assinar o quê?”- questionou Mariano Nhongo, acrescentando há militares da Renamo a abandonar as bases naquela região, onde estavam acantonados.

Na ocasião, Mariano Nhongo convocou, uma vez mais, uma conferência de militares do partido para o dia 17 de Agosto, um encontro que servirá, no seu entender, para eleger um novo presidente.

“Estão a assinar um acordo com Ossufo, mas Ossufo não tem militares. Nós vamos escolher o nosso líder e, se não nos deixarem, aí sim vamos pegar em armas”, concluiu.

O grupo exige a renúncia de Ossufo Momade, acusando-o de estar a “raptar e isolar” oficiais da Renamo que estiveram sempre ao lado do falecido presidente do partido, Afonso Dhlakama, que morreu a 03 de maio do ano passado.

Folha de Maputo