Internacional Trump acusado de usar comemorações do 4 de Julho para fazer comício

Trump acusado de usar comemorações do 4 de Julho para fazer comício

O Presidente Donald Trump quer reinventar a tradição e celebrar o Dia da Independência dos EUA com uma parada militar que os seus críticos dizem ser uma forma de usar as Forças Armadas para a sua reeleição.

A celebração do 04 de Julho, o feriado de Dia da Independência nos EUA, nunca teve uma tradição de pompa militar, nem de discursos presidenciais, mas Donald Trump quer criar uma nova tradição e deu instruções ao Pentágono para preparar uma parada militar que acompanhe uma sua comunicação ao país.

A pedido da Casa Branca, o Pentágono arranjou um avião bombardeiro B-2 e vários caças F-35 e F-18 para sobrevoarem o Mall, a avenida principal de Washington, ao lado do avião presidencial, Air Force One, durante as celebrações do Dia da Independência.

Nas ruas da capital norte-americana, passarão ainda dois carros de combate Bradley e vários tanques, que foram enviados de comboio desde várias bases militares, apesar dos apelos para desistir da ideia, por parte de responsáveis urbanísticos, que chamaram a atenção para os danos que estes pesados veículos militares podem causar ao piso das ruas da cidade.

Mas os riscos dos planos de celebrações desenhadas por Trump não são apenas físicos, mas também políticos, com vários adversários a acusarem o Presidente de usar o prestígio das Forças Armadas para montar “um circo” com vista à sua reeleição em 2020.

“Isto é politização pura e dura”, comentou Loren Dejonge Schulman, membro do grupo de reflexão Centro para uma Nova Segurança e antigo dirigente do Pentágono, durante a Presidência de Barack Obama.

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Betty McCollum, congressista Democrata pelo Minnesotta, acusou Trump de estar a “sequestrar as comemorações do Dia da Independência, transformando-a num comício político pago pelos contribuintes”.

“Trata-se mais de promover o culto à personalidade ‘trumpiana’ do que de celebrar o espírito de independência e de liberdade americana”, concluiu a membro da Câmara de Representantes.

“Os líderes militares estão entusiasmados com a ideia, mostrando ao povo americano que os nossos militares são os mais fortes e desenvolvidos do mundo”, respondeu Donald Trump, no fim de semana, usando a sua conta pessoal da rede social Twitter.

Os assessores de Donald Trump garantem que o Presidente se vai centrar em comemorar o Dia da Independência de forma digna, com um discurso patriótico, no Memorial Lincoln, um dos mais solenes locais da capital norte-americana.

Contudo, a conselheira presidencial Kelly Conway anunciou que o Presidente vai fazer um discurso em que destacará “o sucesso da administração e o que fez para ajudar os veteranos de guerra”, dando argumentos para os adversários que dizem que as comemorações terão um forte lado político e partidário.

Tradicionalmente, o Dia da Independência nos EUA é celebrado com piqueniques em jardins e lançamento de fogo de artifício por todo o país, sem cerimónias oficiais ou paradas militares.

Contudo, após participar no Dia da Tomada da Bastilha em Paris, em 2017, assistindo a uma solene parada militar na avenida dos Campos Elísios, Donald Trump disse ter-se inspirado para mudar a tradição e replicar as comemorações do 04 de Julho com um aparato militar e com um discurso presidencial.

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