Um antigo vice-primeiro-ministro turco e dirigente destacado do partido do Presidente Recep Tayyip Erdogan anunciou a demissão e manifestou a intenção de formar um partido político rival.

Ali Babacan, que também ocupou a pasta da Economia e dos Negócios Estrangeiros em diversos governos de Erdogan, anunciou a sua demissão do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), ao referir-se a divergências “em princípios, valores e ideias”.

Diversos observadores admitem que Barbacan pretenda formar uma nova organização juntamente com o antigo presidente Abdullah Gul e outros responsáveis, que estarão descontentes com a crescente deriva autoritária de Erdogan.

O ex-primeiro-ministro Ahmet Davutoglu também estaria a planear o anúncio de um outro partido.

“Nos últimos anos, surgiram profundas divergências entre as medidas adoptadas em numerosos domínios e os valores, ideias e princípios em que acredito. Vivi uma ruptura de espírito e de coração”, declarou Babacan, que participou na fundação do AKP em 2001.

“Nas condições actuais, a Turquia tem necessidade de uma nova visão para o seu futuro. O nosso país tem necessidade de análises justas em todos os domínios, de estratégias, de planos e programas repensados”, acrescentou, em comunicado.

Esta demissão, um golpe duro para o Presidente turco, surge a menos de um mês da derrota do AKP nas municipais em Istambul, o pior revés eleitoral de Erdogan desde a chegada ao poder do seu partido, em 2002.

O anúncio de Babacan, uma das figuras mais respeitadas nos meios económicos da Turquia, surge ainda no dia seguinte à súbita demissão do governador do Banco central da Turquia por decreto presidencial.

“A necessidade de iniciar um novo esforço para o presente e futuro da Turquia tornou-se inevitável. Eu próprio, e ainda numerosos companheiros, sentimos uma responsabilidade histórica para empreender este esforço”, referiu Babacan ao justificar a sua decisão.

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