Os fármacos do Sistema Nacional de Saúde (SNS) continuam à venda no mercado informal na Zambézia, apesar de as autoridades tentarem conter a prática, que admitem ser recorrente. Mais de oito quilogramas de diferentes medicamentos foram confiscados em Naiopué.

O fiscal do mercado de Naiopué diz que o facto é recorrente. A Polícia detém, mas dias depois os mesmos comerciantes são restituídos à liberdade e fazem-se à rua com fármacos que vendem indiscriminadamente contra todos os riscos que a prática pode acarretar à saúde que quem os compra.

Numa altura em que o sector de saúde tem estado a intensificar as acções de combate à venda ilegal de medicamentos, “O País” deparou-se com a venda de quantidades significativas no cruzamento de  Naiopué distrito de Ile, na Zambézia. Trata-se de uma zona limite que faz fronteira com o distrito de Alto-Molocué.

Trata-se de paracetamol, xaropes e diversos tipos de antibióticos com timbre do Ministério da Saúde (MISAU), o que não deixa dúvidas de que se trata de medicamentos provenientes dos hospitais públicos.

A situação é considerada preocupante porque, não raras vezes, os hospitais da província da Zambézia registam falta de fármacos, inclusive do paracetamol. No local da venda dos medicamentos em causa, havia uma feira onde produtores da região não só expõem, uma vez por semana, produtos agrícolas diversos, mas também pode se comprar outros bens.

Carlos Chano, residente em Naiopué, disse que no mercado o local os proprietários dos medicamentos comercializam cada paracetamol a 20 meticais, valor muito acima do aplicado nas farmácias das unidades sanitárias.

“É muito triste o que está a acontecer. Estão a vender cada comprimido a 20 meticais e nós acabamos comprando porque não temos alternativas. Muitas vezes corremos para o local por simples dores de cabeça porque de Naiopué para um hospital próximo são vinte meticais de transporte. Por causa do valor as pessoas preferem comprar localmente contra todo tipo de riscos porque o medicamento não foi prescrito por um médico”, contou a fonte.

Jamal Perdeu, outro residente de Naiopué, concorda com a venda de medicamentos no mercado local. Questionámos a ele por que razão defende tal prática, tendo respondido que ao invés de a população ir ao hospital, acha os fármacos próximo da área de residência. “Nós não temos hospital próximo, por isso, acho injusto que se proíba a venda de fármacos aqui no mercado. O hospital fica longe”.

Ernesto Pequenino, fiscal do mercado local, apreendeu os medicamentos e entregou-os à Polícia que se encontrava nas mediações da feira. Ele fez saber que a situação não é nova. Segundo explicou, sempre que se denúncia o facto aos agentes da lei e ordem, estes confiscam os produtos e prendem os vendedores mas no da seguinte os mesmos são soltos. Isso frustra a acção que visa acabar com o problema.

Sobre o assunto, não nos foi possível ouvir os vendedores dos fármacos, pois mal aperceberam-se da presença da Reportagem do “O País” colocaram-se ao fresco.

Num breve contacto com o director provincial de saúde, Hidayat Kassim, este deplorou a prática e afirmou que há trabalho a ser levado a cabo pela inspecção provincial no sentido de pôr cobro ao mal.

Com tudo, ao que tudo indica, a rede que se dedica à venda de medicamentos, na sua maioria desviados do SNS, é extensa e parece que envolve gente dentro das unidades sanitárias.

O País