O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no sábado (20) que vai retirar os Estados Unidos do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como INF, firmado em 1987 pelo então presidente norte-americano Ronald Regan e pelo líder soviético Mikhail Gorbachev.

Segundo Trump, Moscou violou o acordo. Ele, porém, não deu detalhes sobre sua acusação. “Vamos encerrar o acordo e, em seguida, vamos desenvolver armas”, a menos que a Rússia e a China concordem com um novo acordo, disse o presidente, que ainda acusou os russos de terem violado o tratado “por muitos anos”.

Autoridades russas criticaram as acusações de Trump. O vice-ministro de Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, disse no domingo (21) que abandonar o tratado seria “um passo muito perigoso”. Para Ryabkov, a acção de Trump “causará a mais séria condenação de todos os membros da comunidade internacional que estão comprometidos com a segurança e com a estabilidade”, observou.

“Condenamos as continuadas tentativas de obter concessões por parte da Rússia por meio de chantagem, ainda mais num assunto com importância para segurança internacional, segurança de armas nucleares e para manutenção de estabilidade estratégica”, acrescentou.

Completo caos

O senador Konstantin Kosachev, chefe do comité de Relações Exteriores, afirmou, por meio de seu perfil no Facebook, que a saída dos Estados Unidos do tratado poderia significar que “a humanidade está prestes a ver completo caos na esfera de armas nucleares”. Para ele, o abandono do tratado poderia prejudicar seriamente os esforços pela não-proliferação de armas nucleares.

O presidente russo Vladimir Putin ainda não comentou o anúncio de Washington, mas a Rússia nega ter violado o tratado que proíbe o uso de mísseis de curto e médio alcance,s assim como impede testes, produção e alocação de mísseis terrestres. A Rússia desenvolve um sistema de mísseis conhecido como 9M729, mas Moscou afirma que está cumprindo as regras do acordo.

Ryabkov disse ainda que Moscou já comunicou Washington repetidamente que não há razões para acusar a Rússia de violar o acordo. De acordo com ele, o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, deve se encontrar com o assessor de Segurança Nacional norte-americano John Bolton nesta segunda-feira, em Moscou.

Metrópoles