Donald Trump acusou a primeira-ministra britânica, Theresa May, de arruinar o objectivo dos britânicos de saírem da União Europeia, com a sua abordagem “suave” das negociações com Bruxelas, o que deverá “matar” futuros acordos comerciais com os EUA.

A posição do Presidente norte-americano foi divulgada em entrevista ao jornal The Sun e os detalhes desta foram revelados enquanto decorria um jantar de boas-vindas de May ao Presidente norte-americano.

Trump disse ao The Sun que “se [os britânicos] fizerem um acordo [como o que está em cima da mesa], nós vamos negociar com a União Europeia, em vez de negociarmos com o Reino Unido, pelo que provavelmente isso vai matar o acordo” com o Reino Unido.

Esta afirmação de Donald Trump sobre a possibilidade de um acordo comercial de grande escala com o Reino Unido estar agora comprometido é um forte revés para o governo de Theresa May, que procura fortalecer com os EUA os laços económicos que eventualmente pode perder com a União Europeia após a consumação do Brexit, marcado para Março de 2019.

O chefe da Casa Branca, que comparou o referendo de Junho de 2016, no qual uma maioria de votantes apoiou a saída do Reino Unido da União Europeia, com a sua própria eleição nesse ano, disse: “O acordo que ela está a procurar obter é muito diferente do que aquele pelo qual as pessoas votaram, não era este acordo que estava no referendo”.

Donald Trump disse também ao The Sun que chegou a aconselhar Theresa May para as negociações com Bruxelas, mas acrescentou que a primeira-ministra britânica acabou por não lhe dar ouvidos.

“Eu teria feito tudo de uma maneira muito diferente”, disse. “Até disse a Theresa May como é que devia fazer, mas ela não me ouviu. Ela quis ir por um caminho diferente.”

O Presidente dos EUA chegou a Londres numa altura em que o governo de Theresa May, no poder há dois anos, atravessa a sua maior crise, tendo resultado na demissão de dois pesos-pesados do seu executivo: o ministro do Brexit, David Davis, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson.

Os dois ministros, defensores de um hard Brexit, por oposição à solução do soft Brexit, do qual Theresa May é adepta, demitiram-se na sequência do acordo governamental aprovado há uma semana em Chequers, localidade onde fica a residência oficial rural da primeira-ministra britânica. Ali, foi aprovado um plano para apresentar a Bruxelas mais próximo das soluções do soft Brexit. Entre as que mais desagradaram aos defensores do hard Brexit, está a proposta para as relações comerciais entre o Reino Unido e a União Europeia.

Observador