Horas depois de defender a política de ‘tolerância zero’ com os imigrantes ilegais, que no último mês separou mais de 2300 crianças e bebés dos pais, o presidente dos EUA, Donald Trump, recuou e prometeu ontem “manter as famílias unidas”.

“Vou assinar em breve uma coisa que fará isso mesmo”, anunciou Trump, referindo-se a uma ordem executiva que obrigará as autoridades a deter no mesmo local as famílias de ilegais que entrem nos EUA. “Queremos segurança para o nosso país”, afirmou Trump, garantindo: “Vamos conseguir isso e, ao mesmo tempo, vamos ter compaixão”.

A mudança de Trump surge após um coro de críticas internacionais causado pela divulgação de imagens de um campo onde crianças separadas, à força, dos pais são fechadas em gaiolas e vigiadas por guardas armados. De acordo com fontes da Casa Branca, a mulher do presidente, Melania, e a filha, Ivanka, terão contribuído para o recuo do presidente.

O Congresso dos EUA vota esta quinta-feira dois projectos de lei que visam resolver a questão das separações, mas não é certo que os projectos tenham apoio suficiente entre a maioria republicana das duas Câmaras. Outra questão que os projectos visam resolver é a situação dos ‘dreamers’, migrantes ilegais que entraram nos EUA quando eram menores.

Secretária vaiada em restaurante mexicano

A secretária da Segurança Interna dos EUA, Kirstjen Nielsen, foi vaiada por ativistas quando jantava num restaurante mexicano de Washington. “Como consegue dormir?” e “Não ouve os bebés a chorar?” perguntaram os ativistas à mulher, que um dia antes defendeu os abrigos de refugiados onde crianças são separadas dos pais. “Vou fazer tudo para manter as fronteiras seguras e as famílias unidas”, escreveu depois Nielsen no Twitter.

EUA deixam direitos humanos da ONU

Os EUA retiraram-se do Conselho de Direitos Humanos da ONU afirmando que o organismo é “hipócrita” e acusando-o de ser sistematicamente oposto a Israel. Os EUA frisam que inclui países como a China, Cuba e Venezuela que repetidamente violam os direitos dos seus cidadãos.

Processo contra Trump

O governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, afirma que aquele estado pode processar a administração do presidente Donald Trump por separar dos pais os filhos de migrantes que entram ilegalmente nos EUA.

Papa condena separações

O Papa Francisco condenou os EUA por separarem as famílias de migrantes, considerando que “o populismo não é a solução” para o problema da imigração ilegal. O Papa disse ainda apoiar os bispos dos EUA que consideram a política de Trump “contrária aos valores católicos”.

CM