As autoridades turcas decidiram manter detido o presidente da Amnistia Internacional na Turquia, Taner Kiliç, horas após anunciada a sua libertação, disse a organização dos direitos humanos, que contestou a decisão.
Para a Amnistia Internacional, a decisão de renovar a detenção deve ser imediatamente revertida e Taner Kiliç libertado.
“Nas últimas 24 horas, testemunhámos uma farsa da justiça de proporções espectaculares. Ter concedido a libertação somente para ter a sua liberdade até a porta, que foi batida na sua cara, é devastador para Taner, para a sua família e todos os que defendem a justiça na Turquia”, afirmou o secretário-geral da Amnistia Internacional, Salil Shetty.
“Este último episódio da sua detenção maliciosa frustrou as esperanças de Taner, da sua esposa e filhas, que esperaram os portões da prisão o dia todo para recebê-lo nos seus braços”, referiu Shetty.
Esta nova prisão de Taner Kiliç aconteceu após a decisão, anunciada na quarta-feira por um tribunal de Istambul, que o libertava da prisão preventiva.
O procurador recorreu da decisão e um outro tribunal em Istambul aceitou o pedido.
Em vez de ser libertado, Kiliç foi tirado da prisão de Izmir, onde estava preso desde Junho, e levado sob custódia da polícia.
“Este é o último exemplo da crise no sistema de justiça da Turquia, que arruína vidas e retira o direito a um julgamento justo”, afirmou Salil Shetty.
“Ao passar por cima da justiça e ignorar as evidências esmagadoras da sua inocência, a sua nova detenção só aprofunda a nossa determinação para continuar a lutar no caso de Taner. Um milhão de vozes já pediram a sua libertação. Não deveria nunca ter sido preso e não descansaremos até estar livre”, acrescentou.
A próxima audiência em tribunal de Kiliç foi marcada para 21 de Junho.
Kiliç está acusado de envolvimento no movimento do religioso Fethullah Gülen, considerado por Ancara o mentor do fracassado golpe militar de Julho de 2016.
No total, 11 pessoas estão envolvidas neste processo.
Kiliç foi detido em 06 de Junho de 2017, acusado de ter utilizado a aplicação de mensagem criptadas ByLock, que Ancara considera uma ferramenta de comunicação privilegiada dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado.
Os restantes ativistas foram detidos em 05 de Julho, incluindo Idil Eser, directora da secção turca da AI, quando participavam num curso de formação sobre segurança informática e gestão de dados na ilha de Büyükada, ao largo de Istambul.
Após quase quatro meses de detenção, oito dos detidos foram libertados sob caução após a primeira audição que decorreu em Outubro.
Em dezembro, as autoridades turcas admitiram que milhares de pessoas foram injustamente acusadas de terem instalado nos seus aparelhos o sistema de mensagem criptadas ByLock.
Na ocasião, publicaram listas com os números de 11.480 utilizadores de telemóveis, e que implicaram libertações em massa das prisões.
Notícias ao Minuto















