A segunda mulher de Nelson Mandela, Winnie, está a desafiar na Justiça o testamento do falecido líder anti-apartheid e exige a casa em Qunu para as suas duas filhas.

Numa carta enviada pelo seu advogado para os executores do património de Mandela e divulgada nesta terça-feira (5), Winnie Madikizela-Mandela argumentou que seus filhos deveriam estar a cargo da casa dos ancestrais do ex-presidente em Qunu, na província do Cabo Oriental, onde foi enterrado em Dezembro.

Winnie, fervorosa activista antia-apartheid que divorciou-se de Mandela em 1996, depois que foi revelado que ela o traiu durante os 27 anos em que ele passou na prisão, disse ter adquirido a propriedade de Qunu em 1989 quando Mandela ainda estava encarcerado, o que lhe daria a posse do local nos termos da lei convencional.

Ela não recebeu nada dos 4,1 milhões de dólares do espólio de Mandela, que foi dividido entre sua família, o partido governista Congresso Nacional Africano, ex-empregados e várias escolas.

Cada um dos seus seis filhos e alguns de seus netos receberam 300 mil dólares, e a propriedade de Qunu ficou sob custódia da família.

A carta do advogado de Winnie, Mvuzo Notyesi, afirma que a casa de Qunu deveria ficar com as duas filhas de Madikizela-Mandela, Zindzi e Zenani, e seus filhos.

É só neste lar que os filhos e netos da senhora Madikizela-Mandela podem praticar seus costumes e tradições, diz o documento, visto pela Reuters nesta terça-feira.

Os filhos nascidos do casamento entre o senhor Nelson Mandela e a senhora Winnie Madikizela-Mandela devem ter a custódia conjunta da propriedade, que cabe a eles há gerações, acrescenta.