O Hospital Rural de Muxúnguè, na província de Sofala, a unidade mais próxima da zona do conflito armado entre as tropas governamentais e homens armados da Renamo, recebeu ordens do Governo central para não prestar qualquer informação sobre o número de mortos e feridos em consequência dos intensos confrontos naquela região. A direcção daquela unidade sanitária tem ajudado a imprensa a revelar o número de mortos e feridos nos combates. Mas o Governo não quer isso. Pretende esconder do público toda a informação sobre as consequências humanas da guerra.

Ao Canalmoz, o médico-chefe do Hospital Rural de Muxúnguè, Pedro Vidamão, disse que a ordem de não dar informação a jornalistas emanou do Ministério da Saúde, e aconselhou-nos a procurar a chefe do posto ou mesmo o posto policial para falar dos mortos e feridos.

Assim, a informação passa a ser gerida por políticos da administração local e os dirigentes da Polícia, que são parte interessada no conflito.

“Eu não posso falar mais nada sobre os números de mortos ou feridos dos confrontos militares, para mim são todos doentes civis que se encontram no hospital”, disse. “Temos ordens para não falarmos sobre a situação militar, por isso é melhor contactar o posto ou a Polícia, que lhes vão dar mais detalhes”, concluiu o médico-chefe do Hospital Rural de Muxúnguè, Pedro Vidamão.

Em Muxúnguè, junto de fontes hospitalares independentes, o Canalmoz ficou a saber que dois feridos graves, sendo um militar e um civil, que estavam a ser transferidos de emergência para o Hospital Central da Beira, na quarta-feira, perderam a vida pelo caminho.

Segundo uma outra fonte do mesmo hospital, os outros doentes militares que se encontravam hospitalizados no Hospital Rural de Muxúnguè foram de imediato transferidos, ainda na tarde da quarta-feira, para o Hospital Central da Beira, por ordens superiores do Ministério da Saúde.

Entretanto, já no final da tarde desta quinta-feira, última coluna de veículos foi atacada a seis quilómetros da vila Muxúnguè. Não houve vítimas.