Um cidadão identificado pelo nome de Abílio Santos Manuel, de 41 anos de idade, foi brutalmente assassinado por um grupo de 10 indivíduos ainda em parte incerta, os quais, além de espancarem a esposa do malogrado, de 39 anos de idade, abusaram sexualmente da filha, de apenas 13 anos de idade, na noite desta sexta-feira (31), no bairro Tsalala, no município da Matola.

O malogrado deixa uma viúva e quatro filhos. Este crime hediondo deu-se no quarteirão 77. Os malfeitores, munidos de armas de fogo e objectos contundentes, segundo testemunhas, invadiram a casa por volta das 23 horas, altura em que a vítima mortal estava a tomar banho.

Para não despertar a atenção dos vizinhos, o bando amarrou e amordaçou as seis pessoas que se encontravam na casa. Depois de assassinarem, a sangue frio, o dono da residência, os meliantes espancaram, sem dó, a dona da casa e ainda violaram a sua filha de 13 anos de idade, a qual se encontra deveras traumatizada.

Argentino dos Santos, de 17 anos de idade, é sobrinho do casal e presenciou tudo. Em contacto com o @Verdade narrou, com lágrimas nos olhos, a que nos referimos, os assassinos “entraram, exibiram armas de fogo e de seguida amarraram-nos e amordaçaram-nos. Começaram a espancar a minha tia, bater nela com um pau de pilar e nesse momento atingiram-me o pé. Perguntaram onde estava o dinheiro da receita do talho, onde o meu tio trabalha. Um deles (os malfeitores) disse que alguém do bairro Chamanculo informou que tínhamos dinheiro. Enquanto uns levavam as coisas (eletrodomésticos), outros violavam a minha prima.”

Araújo Manuel, de 14 anos de idade, é filho do homem assassinado. À nossa Reportagem disse viveu um autêntico calvário nas mãos dos bandidos. “Não tenho palavras, mataram o meu pai, espero que se faça justiça, eles não podem ficar impunes.”

Angélica Armando Matusse é uma pessoa próxima da família ofendida e foi quem prestou os primeiros socorros. Ao @Verdade contou que “o meu vizinho (assassinado) tinha o hábito de voltar a casa por volta das 23 horas e tomava banho nessa mesma altura. Eu acompanhava sempre os seus movimentos porque vivo a frente desta casa (do falecido). Ontem ouvi algumas vozes mas não pensei que alguém podia estar a ser morto. Apercebi-me da tragédia quando a vizinha, já ferida e quase sem voz, bateu à minha porta dizendo que os bandidos haviam ferido a ela com catana, além de matarem o seu marido.”

“Quando passamos da casa do banho vimos uma poça de sangue e o corpo do marido estatelado no chão, com uma chave de fenda espetado no pescoço. Estava morto. Telefonei para o chefe do quarteirão. A minha contou-me também que quem a desatou foi a filha violada sexualmente,” contou Angélica Matusse.

O chefe do quarteirão 77, Francisco Osório, afirmou ter sido contactado por volta das 23h:45 e, por sua vez, telefonou para a Polícia da República de Moçambique (PRM), a qual se fez ao local do crime por volta de 00h:30, tendo levado o corpo para o Hospital Central de Maputo, a mulher e a filha para o Hospital Geral José Macamo. Francisco Osório lamenta o facto de a corporação não ter feito nenhuma investigação no local do crime com vista a ter indícios dos malfeitores.

“Causou estranheza o procedimento da Polícia, limitou-se a levar as vítimas para o hospital. Mas também gostaria de salientar que este tipo de crime é novo neste bairro. Espero que sejam localizados e penalizados os autores deste crime bárbaro”, disse o líder da zona, desapontado.