A Associação dos Mineiros e Trabalhadores do Ramo das Construções (AMCU) convocou para a próxima quinta-feira (23) uma greve por tempo indeterminado em reivindicação de um aumento salarial dos actuais cinco mil para 12 500 randes nas três minas detidas pelos maiores produtores mundiais de platina que operam na África do Sul. Segundo estimativas do sindicato, cerca de 100 mil operários paralisarão as suas actividades na Anglo American Platinum, Impala Platinum e Lonmim na mesma altura em que foi tornado público a aprovação de aumento salarial de cerca de 5% para os membros do Executivo de Jacob Zuma.

A industria da platina sul-africana recupera da greve sangrenta de 2012, com destaque para a mina de Lonmin, em Marikana, onde foram assassinados 34 mineiros pela polícia no dia 16 de Agosto.

O sindicato revolucionário, como é apelidado, optou por esta medida depois de terem fracassado as negociações para o aumento salarial com a direcção da Impala e Lonmin. “Vamos entregar as cartas de notificação da greve às direcções das minas. A greve irá iniciar no turno da manhã de quinta-feira”, disse o tesoureiro da AMCU, Jimmy Gama, que garantiu que os protestos serão pacíficos.

Mercado de platina em risco

Uma eventual greve neste sector poderá colocar em risco o fornecimento global da platina, tendo em conta que a África do Sul é responsável pela produção de cerca de 80% deste minério a nível mundial.

O sindicato, o maior no ramo de platina com cerca de 100 mil membros, assegura que os seus membros pertencentes às minas de ouro irão também observar a greve. Esta medida surge depois de ter rejeitado a oferta de um aumento salarial na ordem dos 8% feita pelo patronato.

O seguimento de todos os procedimentos para a convocação de greves constitui uma mudança para o AMCU, visto que no passado o sindicato optava apenas pela paralisação dos trabalhos nas minas sem avisar o patronato, conduta que viria a ser abandonada depois que o mesmo (sindicato) passou a ser o maior do ramo da platina, em 2012, destronando o Sindicato Nacional dos Mineiros (NUM), ligado ao Governo sul-africano.

Aumento salarial no Governo

Numa altura em que a incerteza tomou conta do sector mineiro sul-africano, o Presidente Jacob Zuma aprovou um aumento salarial na ordem dos 45 milhões de randes para o Governo, ignorando os apelos para as medidas de contenção, reporta o Jornal Sunday Independent do último domingo.

O aumento salarial de cerca de 5% é para o ano financeiro de 2013/2014 e terá como beneficiários os membros do Executivo de Zuma, governadores provinciais, membros dos governo provincial e parlamentares.

O jornal refere que os seus cálculos sugerem que o aumento salarial aprovado pelo Presidente Zuma irá custar cerca de 45 milhões dos cofres do Estado. Segundo o periódico Sunday Independent, a Comissão Independente para a Remuneração dos Funcionários Públicos havia, antes, sugerido ao Governo que não contemplasse nos aumentos os salários dos políticos que recebem valor igual ou superior a um milhão de randes por ano.

Dos que irão beneficiar do aumento figuram o Vice-Presidente Kgalema Motlanthe, que passará a receber um adicional de 118 mil randes; enquanto que o porta-voz do Parlamento (Assembleia Nacional), Max Sisulu, e o Director do Conselho Nacional das Províncias, Mninwa Mahlangu, terão um aumento de 100 mil randes cada. Os governadores provinciais terão um incremento de 94 mil randes.