O Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) está a pesquisar novas variedades de batata-doce que sejam altamente nutritivas, resistentes a seca e que tenham rendimentos maiores em relação as actualmente existentes no país.

Trata-se duma pesquisa financiada pela Aliança por uma Revolução Verde em África (AGRA) que, segundo José Ricardo, Melhorador da cultura de batata-doce no IIAM, enquadra-se nos esforços visando encontrar variedades cada vez melhores.

“No âmbito do projecto financiado pela AGRA, decorem pesquisas de nove novas variedades de batata-doce de polpa alaranjada, que tem maior resistência a seca e maiores rendimentos, acima de 15 toneladas por hectare”, disse Ricardo, falando em entrevista a AIM.

Em Moçambique, a batata-doce é tida como a terceira cultura mais importante para os pequenos agricultores, depois do milho e mandioca. Estimativas indicam que é praticada por mais de dois milhões de produtores, que utilizam tanto as folhas como as raízes.

Esforços para a melhoria dos rendimentos desta cultura iniciaram já há alguns anos e, em 2000, o IIAM lançou as primeiras oito variedades de batata-doce, mas estas só tinham um rendimento de três toneladas por hectare, o que os pesquisadores reconheceram ser pouco.

Por isso, em 2005, os pesquisadores da área iniciaram a recolha de materiais locais para o desenvolvimento de novas variedades de batata-doce, com maior produtividade e resistência a seca.

Como resultado disso, em 2011 libertou-se um total de 11 variedades que agora estão sendo distribuídas pelo país com um rendimento que chega a atingir oito toneladas por hectare.

Apesar desses progressos, pesquisas visando encontrar variedades cada vez melhores prosseguem e envolvem parcerias com organizações internacionais como a AGRA e o Centro Internacional da Batata.

“O desafio agora é trabalhar em pesquisas visando aumentar a produtividade”, disse o pesquisador Ricardo, que trabalha na área do melhoramento da batata-doce há já 15 anos.

“A África do Sul produz 50 toneladas por hectare, mas utiliza fertilizantes e irrigação, o que ajuda no aumento da produtividade. Mas os nossos agricultores não têm essas condições”, acrescentou ele.

Paralelamente as pesquisas, o projecto de desenvolvimento da batata-doce de polpa alaranjada também aposta numa maior publicitação desta cultura, o que inclui, dentre várias medidas, uso de viaturas, camisetas e bonés pintados a cor de laranja.

“Com vista a aproximarmo-nos dos produtores, multiplicamos as nossas variedades em locais perto das comunidades e trabalhamos com cerca de 200 multiplicadores espalhados pelo país que, por sua vez, vendem as suas ramas de batata-doce aos produtores locais. Além disso, no âmbito desse projecto, produzimos pão, biscoitos, sumos, jam, entre outros derivados de batata-doce”, disse José Ricardo.