Segundo a chefe do Departamento de Preços e Conjuntura, Perpétua Michangula, esta tendência verificou-se principalmente na cidade de Nampula, norte do país, onde parte dos produtos comercializados localmente são provenientes de Maputo – e transportados via estrada.
Michangula falava ontem, em Maputo, durante a apresentação do Índice de Preços no Consumidor (IPC) referente ao mês de Junho.
“Os ataques ao longo da estrada nacional tiveram um impacto (nos preços), sim. A inflação de Moçambique teve uma contribuição negativa, mas Nampula tem uma tendência contrária porque existem muitos produtos que são provenientes de Maputo, principalmente a batata-reno o que influencia – embora não grandemente – os preços”, disse ela.
Os dados do INE indicam uma redução de preços nas cidades de Maputo e Beira, o que influenciou a inflação nacional, calculada com base nos dados dos três maiores centros urbanos, incluindo da cidade de Nampula.
Com efeito, a inflação nacional foi de -0,38 por cento, enquanto na cidade de Nampula o nível geral de preços sofreu um agravamento na ordem de 0,08 por cento.
Além da batata-reno, os outros produtos cujos preços influenciaram esta tendência foram os da farinha de mandioca, arroz em grão, peixe fresco, refrigerado ou congelado, que tiveram um impacto total na inflação mensal foi de aproximadamente 0,27 pontos percentuais positivos.
Perpétua Michangula explicou que apesar da cidade da Beira estar também a sofrer as restrições da circulação de viaturas ao longo da estrada nacional número um, não sofreu inflação de forma notável porque “grande parte dos produtos consumidos soa produzidos localmente”.
Moçambique vive nos últimos meses um clima de tensão que se agravou no mês passado com após ataques por homens armados a viaturas ao longo da estrada nacional, o que condicionou o trânsito que até agora é feito mediante protecção de militares no troço entre o rio Save e Muxúnguè, num percurso de cerca de cem quilómetros que chega a ser feito em mais de 16 horas.
Com efeito, diversas viaturas, incluindo de transporte de pessoas, bens e mercadorias ficam durante horas a fio aguardando a sua vez de integrar as colunas militares e atravessar o troço considerado perigoso.
Presume-se que antes dos ataques, passavam por aquela via mais de 200 viaturas transportando passageiros e carga diversa, mas agora menos de 30 por cento desse tráfego passa por aquela via, havendo até companhias que suspenderam as suas actividades.
Contudo, o IPC ainda não reflecte a situação de todo o país, uma vez que apenas cobre três das mais de 43 cidades e vilas com categorias de municípios, parte dos quais dependem de produtos provenientes do sul do país.
AIM – Noticias
















