Economia Moçambique é destacado como líder da economia azul na África

Moçambique é destacado como líder da economia azul na África


O Presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, afirmou que Moçambique é um dos países africanos com maior potencial para liderar o desenvolvimento da economia azul, durante a abertura da 3ª Conferência Internacional Crescendo Azul, que decorre na capital moçambicana.

Durante o evento, que reúne decisores políticos, especialistas e parceiros internacionais ao longo de dois dias, Youssouf enfatizou a importância de acelerar os investimentos, promover a integração regional e estabelecer mecanismos de financiamento que transformem os recursos marítimos em crescimento sustentável. “Moçambique é o epicentro da economia azul. Tem tudo para ser campeão não apenas na região, mas em todo o continente”, declarou.

O dirigente africano elogiou a localização estratégica do país no Oceano Índico e a sua extensa linha costeira superior a 2.700 quilómetros, sublinhando o seu papel como corredor de acesso ao mar para diversos países do interior da África Austral. Essa posição privilegiada permite a Moçambique beneficiar das oportunidades associadas ao comércio marítimo, logística, energia, turismo costeiro, e exploração sustentável dos recursos marinhos.

Youssouf recordou que a União Africana adoptou dois instrumentos estratégicos fundamentais para guiar o aproveitamento sustentável dos oceanos: a Estratégia Marítima Integrada Africana 2050 e a Estratégia Africana para a Economia Azul, ambas em conformidade com a Agenda 2063 da organização continental. Para ele, a economia azul já se apresenta como uma importante fonte de receitas para vários países e pode ter um impacto significativo na geração de emprego, na redução da pobreza e na promoção da integração económica africana.

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No entanto, Youssouf alertou para os desafios que ameaçam o desenvolvimento sustentável dos recursos marítimos, incluindo as alterações climáticas, os ciclones, a pesca ilegal, o crime organizado e o terrorismo. “Países como Moçambique, Madagáscar e os pequenos Estados insulares enfrentam regularmente ciclones devastadores, enquanto o financiamento para adaptação climática continua insuficiente”, observou.

Identificando quatro prioridades para o continente, o Presidente da Comissão destacou a necessidade de reforçar a governação integrada dos oceanos, investir em infraestruturas e inovação tecnológica, incluir as comunidades costeiras nos processos de desenvolvimento e criar mecanismos inovadores de financiamento. “O investimento em infraestruturas, inovação e tecnologia é uma necessidade, sobretudo através de parcerias entre Norte e Sul”, afirmou.

Youssouf também elogiou os esforços de Moçambique na promoção da estabilidade política e no fortalecimento das instituições relacionadas com a governação marítima, destacando a inauguração do Centro Regional de Monitoria, Controlo e Vigilância das Pescas da SADC. “A integração começa nas regiões. Hoje, Moçambique está a mostrar o caminho”, concluiu.

O Presidente da Comissão apelou ainda aos países africanos para que transformem o vasto potencial marítimo do continente em valor acrescentado e prosperidade para as populações. “A África possui recursos incomparáveis. Devemos transformá-los em desenvolvimento para os nossos povos”, afirmou.

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