A inflação dos preços dos alimentos em Moçambique poderá situar-se entre 10 e 12 por cento, conforme o alerta do economista moçambicano Daniel Egas.
A declaração foi feita durante a apresentação do relatório da “EuroCam” sobre o clima de negócios no país, no âmbito da Conferência Empresarial Moçambique-Itália 2026, que se realiza em Maputo nos dias 08 e 09 de Junho, com o lema “Parcerias para o desenvolvimento sustentável de infraestruturas”.
Durante a sua intervenção, Egas sublinhou que, apesar da redução das taxas de juro de referência para cerca de 9,25 por cento, o sistema financeiro ainda não conseguiu traduzir esse abaixamento em um aumento considerável do investimento produtivo. “A diminuição das taxas de juro não se traduziu num aumento proporcional do investimento produtivo”, afirmou.
O economista destacou que a estrutura de financiamento da economia mantém-se desalinhada, favorecendo sectores de retorno rápido em detrimento de actividades produtivas de longo prazo. “A economia tende a financiar sectores de elevada rotação de caixa, deixando sub-financiados os sectores estratégicos para o crescimento sustentável”, referiu.
Egas alertou para a fragilidade do financiamento à agricultura, que representa aproximadamente 21 por cento do Produto Interno Bruto, mas apenas recebe cerca de 3 por cento do crédito total disponível na economia. “Este é um desalinhamento estrutural significativo entre o peso do sector e o acesso ao financiamento”, observou.
O relatório também destaca pressões crescentes sobre as finanças públicas, num cenário em que a despesa pública cresce a um ritmo superior à receita, obrigando o Estado a recorrer a um financiamento interno de curto prazo de forma mais intensa. “Estamos a atingir o limite da capacidade do sistema financeiro doméstico em financiar o Estado”, alertou Egas.
Apesar dos desafios macroeconómicos, o economista apontou os corredores logísticos como uma oportunidade estratégica para reforçar a competitividade e reconfigurar a economia, ao integrarem infraestruturas, logística e cadeias de valor regionais. “Os corredores logísticos podem desempenhar um papel determinante na transformação económica, desde que acompanhados por reformas estruturais”, afirmou.
Por sua vez, a representante do Banco Mundial, Mónica Moldovan, defendeu que os corredores logísticos devem ser considerados como sistemas integrados de desenvolvimento económico. “Os corredores não são apenas infraestruturas de transporte. O valor surge quando se integra o porto, a estrada, a produção agrícola, a energia e os mercados regionais num mesmo sistema económico funcional”, sustentou.
Moldovan enfatizou que a competitividade dos corredores depende da sua capacidade de reduzir custos de transacção e de melhorar a eficiência operacional em toda a cadeia logística regional.















