Falando à imprensa, Bethuel Kiplagat disse que a delegação deslocou-se a Moçambique para congratular o povo moçambicano por ter conseguido manter a paz ao longo dos 21 anos de vigência do AGP.

“Isso é muito encorajador para nós como africanos. Estive envolvido com os vossos líderes no processo de paz que culminou com a assinatura do Acordo Geral de Paz. Isso foi um orgulho para nós como africanos. Venho cá mais uma vez para reafirmar esse nosso desejo de continuar nesta missão de manutenção da paz”, disse o diplomata, acrescentando que quando a Conferência das Igrejas de Toda África tomou conhecimento de algumas situações que estão a acontecer em Moçambique, decidiu fazer deslocar uma delegação com o objectivo de perceber melhor, inteirar-se da situação e encorajar os esforços internos dos moçambicanos para a resolução dessas situações.

Por seu turno, o porta-voz do Presidente da República explicou que a delegação da Conferência das Igrejas de Toda África procurou se informar da situação política, económica e social actual do país. Disse que a delegação saudou o Presidente da República, Armando Guebuza, pelo papel que desempenha na preservação da paz, da estabilidade política, do Estado de Direito democrático e da harmonia social.

“Procuraram se informar sobre dois aspectos fundamentais. Primeiro sobre a questão do desarmamento da Renamo e segundo sobre a questão do diálogo”, afirmou.

Sobre o desarmamento, Edson Macuácua indicou que a delegação concorda que há uma necessidade de desarmar a Renamo para que os seus homens possam ser reintegrados para tomarem o curso normal da vida e que o país possa ter apenas um único exército.

O porta-voz do Chefe do Estado afirmou que o desarmamento constitui um ponto supremo no topo da agenda nacional, daí que o Chefe do Estado moçambicano mandatou a delegação do Governo neste momento em diálogo com a Renamo para que em sede desse mesmo diálogo seja colocado prioritariamente esta questão para discussão, de modo a criar as condições necessárias para que, efectivamente, o maior partido da oposição no país possa ser desarmado.

“Sobre o diálogo, informamos que há um processo em curso a vários níveis e particularmente entre a delegação do Governo e da Renamo e que no âmbito deste diálogo, o Chefe do Estado moçambicano mandatou a delegação do Governo para que prepare junto com a delegação da Renamo as condições necessárias para que se possa realizar com sucesso um encontro entre o Chefe do Estado e o dirigente da Renamo”, disse.

Segundo Edson Macuácua, a delegação das igrejas de toda África concordou que, de facto, para que o encontro seja frutífero e produtivo, primeiro deve ser preparado pelas duas partes. Os mandatários da Conferência das Igrejas de Toda África expressaram o seu interesse em ver esta experiência de diálogo e de pacificação que Moçambique tem a ser partilhada e internacionalizada para o benefício de muitos outros países africanos que ainda se encontram em situação de guerra, de instabilidade e de conflitos militares.

A delegação expressou a sua confiança de que tal como ontem os moçambicanos souberam pela via do diálogo superar as suas diferenças, hoje com a mesma inteligência, capacidade e habilidade saberão superar as actuais diferenças e avançarem de mãos dadas para o que os une, que é a preservação da paz, a consolidação da unidade nacional, do Estado de Direito democrático e a promoção do desenvolvimento económico e social que seja cada vez mais amplo, inclusivo, participativo e que cada vez mais beneficie os moçambicanos, afirmou o porta-voz do Presidente da República.

Edson Macuácua disse que o Governo fez muitas cedências à Renamo, relativamente às exigências que colocou quanto a legislação eleitoral, assim como a Assembleia da República manifestou disponibilidade em reagendar esta questão caso ela proponha.

Recordou que o Presidente da República considerou os incidentes de Muxúnguè um teste á capacidade dos moçambicanos de preservar a paz e a unidade nacional e que tal como ontem a sua capacidade de auto-superação saberá prevalecer o bom senso.

Noticias