Intervindo na Conferência Nacional sobre Género na Comunicação Social em Moçambique, realizada pela Associação da Mulher na Comunicação Social (AMCS), Moyana defendeu a necessidade de os decisores adoptarem medidas administrativas de integração das mulheres que, paulatinamente, podem ser interiorizadas como cultura.
No evento cujo lema era: “Construindo Caminhos para a Integração Efectiva das Mulheres”, os participantes convergiram na necessidade de se desmistificar a ideia da dificuldade da profissão, de forma a dar-se espaço às mulheres de mostrarem o que elas são capazes, bem como a inclusão dos que têm o poder de decisão nas Redacções naquele tipo de debates.
Outro pormenor reside no facto de as mulheres serem preteridas não só como profissionais, assim como o são sob ponto de vista de fontes de informação, chegando nalgum momento a emprestar o seu papel aos homens.
Os dados estatísticos referenciados na conferência mostram que o número de mulheres que seguem o jornalismo como profissão continua estagnado tal como era há 20 anos.
Um dos exemplos que espelha o desequilíbrio do género veio da Sociedade do “Notícias”. Segundo a editora Delfina Mugabe, esta organização que possui três jornais, nomeadamente o Notícias, Domingo e Desafio tem na Redacção do Notícias em todo o país 54 jornalistas, dos quais seis são mulheres. No Domingo, com um total de 20 tem duas jornalistas. O Desafio, com sete jornalistas não possui nenhuma mulher”, disse.
A ministra da Mulher e Acção Social, Iolanda Cintura falou da pertinência da conferência que segundo disse irá despertar cada vez mais a mulher e o homem para o desenvolvimento não só da comunicação social, como também do país, pois a comunicação gera sabedoria da mulher e do homem com vista ao bem-estar total. Cintura disse recorrendo ao estudo realizado entre 2009 e 2010 pela Gender Links, uma organização da região austral de África que lida com os assuntos de género, que o desequilíbrio registado na comunicação social não só se manifesta neste sector, com 27 por cento de mulheres como também a nível do ensino superior onde a percentagem está abaixo dos 30 por cento, tanto para as estudantes como para professoras.
Palmira Velasco, coordenadora da AMCS, disse que o evento acontece em torno de um olhar sobre os Objectivos do Desenvolvimento do Milénio, onde muitos sectores traçaram desafios como por exemplo o equilíbrio do género.
“Sentimos que Moçambique não vai alcançar o equilíbrio do género que está ainda muito aquém do ideal nos órgãos de comunicação social. É por isso que juntamos neste encontro editores, gestores, jornalistas para ver o que concorre para que as mulheres não singrem na profissão”, disse.
A reflexão girou em torno da participação da mulher na produção de conteúdos noticiosos, enquanto fontes de informação, a problemática da fraca participação e da formação em comunicação social e contou com a presença de diversos sectores ligados à comunicação social.
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