A Igreja Mundial do Poder de Deus, na cidade de Maputo, volta a estar no centro das atenções com um pastor, de nome Tomás Xavier, a denunciar casos de descontos nos seus rendimentos mensais, alegadamente por não conseguir cumprir as metas na colecta de contribuições estabelecidas pela direcção daquela congregação religiosa.

Segundo reporta o jornal Notícias, o caso foi já apresentado e discutido na Comissão de Mediação de Assuntos Laborais (COMAL) do Ministério do Trabalho, entidade que decidiu que a igreja deveria pagar os valores descontados ao pastor e a respectiva indemnização.

No entanto, por não possuir força legal e executiva para forçar ao cumprimento das suas deliberações, este organismo emitiu uma certidão de impasse, documento que abre espaço para apresentação do caso às instâncias judiciais.

O presidente da Igreja Mundial, Jorge Matavele, citado pelo Notícias, refutou as afirmações do pastor Tomás Xavier, alegadamente por este estar a faltar à verdade ao reclamar uma indemnização, uma vez que não foi expulso e abandonou a congregação de livre vontade.

Matavele acrescentou que os descontos sobre os rendimentos foram efectuados com o seu consentimento e abrangeram a vários outros pastores, uma vez que a igreja estava a atravessar uma crise e precisava da colaboração de todos os seus servos.

Maputo: Pastor em apuros na Igrega Mundial por não conseguir colectar 100 mil meticais/mês

Segundo Tomás Xavier, a história começa em finais do ano passado quando, numa reunião, a direcção da igreja decidiu que os pastores deviam apresentar receitas mensais de 100 mil meticais ou de 30 mil semanais, resultantes das contribuições dos crentes.

Xavier disse que dificilmente conseguia cumprir estas metas, uma vez que orientava os cultos numa igreja localizada na zona do 1º de Maio, bairro Kongholote, município da Matola, uma área que, no seu entender, é habitada por crentes de poucas posses financeiras.

“Eu entregava os envelopes para ofertas a partir de 150 até 300 meticais e outros pastores faziam-no a partir de 500 meticais. Cheguei a ouvir da direcção da igreja que eu não servia para ser pastor por não ter receitas altas como os outros”, acrescentou Xavier.

O visado disse que a partir daí começou a sofrer descontos nos seus salários, num período de quatro meses, e acabou sendo transferido para a igreja de Boane, onde foi instado a não orientar mais cultos, servindo apenas como assistente.

“Apresentei a preocupação à direcção da igreja no sentido de ver o meu salário reposto e isso não aconteceu. Foi essa a razão que me levou a decidir desvincular e apresentar o meu caso à Inspecção do Trabalho”, referiu.