Dhlakama deve alinhar com a paz - apela a Igreja Evangelista do Niassa

Florentina Focas, pastora daquela igreja, disse, durante o final de semana ao Notícias, que o apelo foi lançado durante um culto dedicado à paz e que juntou milhares de crentes, políticos e membros da sociedade civil que decorreu naquela região norte do país.

Ela disse que o propósito daquele serviço religioso foi o de despertar a consciência do líder da Renamo e seus seguidores, no sentido de reconciliarem-se com eles próprios e alinharem com a paz e desdenhar a violência.

“O povo moçambicano tem lembranças muito tristes da guerra. Foram milhares as almas que deixaram de fazer parte do mundo dos vivos ao longo da guerra dos 16 anos. O país ficou completamente desarticulado por causa desta guerra, o tecido económico e social nacional ficou seriamente afectado devido às atrocidades desta guerra. Hoje algumas dessas feridas ainda se mantêm bem frescas. Como tal, juntamo-nos para orar ao Senhor e pedir para que ajude aos nossos irmãos que ainda pensam na guerra a desarmarem as suas mentes e alinharam com a paz”, explicou.

Focas disse não fazer sentido que alguns compatriotas ainda pensem em retornar à guerra “numa altura em que Moçambique é tido como um verdadeiro caso de sucesso em termos de pacificação e manutenção da paz”.

“Hoje quando se fala de Moçambique fala-se duma nação exemplar, uma nação que deu muitas lições ao mundo sobre a dimensão do perdão e reconciliação entre irmãos que durante dezenas de anos andaram desencontrados odiando-se uns aos outros. Hoje quando se fala de Moçambique fala-se de um país em franco crescimento económico e social e não faz sentido que sejamos nós a dizer ao mundo que afinal está enganado ao fazer tal avaliação”, lamentou.

Ela lancou um apelo a todas as igrejas no sentido de promoverem cultos e orações dedicadas à paz em Moçambique, para que todos os que pretendam perigar a paz despertem e recuem nos seus intentos. “O tempo urge. Vamos orar pelo nosso irmão Afonso Dhlakama para que ele reconsidere as suas intenções maléficas e se junte a todos os irmãos moçambicanos que amam e celebram a paz.

“Hoje temos a população de Gorongosa que vive amedrontada temendo pelas suas próprias vidas. Os camponeses de Gorongosa já não vão às suas machambas livremente porque têm medo que algo de mal lhes aconteça. As crianças de Gorongosa já não sorriem porque andam amedrontadas temendo que algo lhes aconteça. Não podemos continuar a viver com medo num país que proclama a paz”, sentenciou aquela religiosa.

Durante aquele serviço religioso líderes políticos intervieram e repetiram apelos à paz, instando também o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, a “desarmar a sua mente e proclamar a paz, concórdia e reconciliação”.