Sociedade Segurança "Polícia que extorquir passará festas na cela"

"Polícia que extorquir passará festas na cela"

Sem contemplações! O agente da Polícia que for denunciado por extorsão a cidadãos nacionais e estrangeiros durante o período festivo – Natal e Fim-do-Ano – será imediatamente detido e conduzido aos calabouços, devendo o seu processo ser analisado e julgado em Janeiro do próximo ano, segundo garantias dadas pelo Comandante-Geral da Polícia, Jorge Khalau.
"Polícia que extorquir passará festas na cela"

Em entrevista ao Jornal Notícias, na qual aborda questões de segurança durante a quadra festiva e aprofunda alguns assuntos da actualidade no seio da corporação, Jorge Khalau explicou que esta é uma das medidas encontradas para desencorajar os homens da lei e ordem que têm o hábito de “assaltar o bolso” do cidadão, o que, regra geral, acontece com grande intensidade nestas alturas do ano.

Khalau admite que o fenómeno de extorsão dentro da corporação atingiu níveis preocupantes mas, por outro lado, lembra que os agentes, sobretudo de Trânsito, têm estado a prender todos aqueles que os tentam corromper, o que é bom sinal para se inverter a imagem de que a corporação é o rosto visível da corrupção em Moçambique. Nesta entrevista, Jorge Khalau reage às acusações da Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público que os aponta como sendo desobedientes a ordens emanadas por este órgão. Fala ainda do processo de recrutamento de agentes para a corporação que de uns tempos a esta parte está ferido de irregularidades, assim como aborda a questão dos sequestros e das cauções que estão a ser mal arbitradas por alguns juízes, parte deles a troco de “ninharia”.

Nas linhas que se seguem o estimado leitor tem a oportunidade de acompanhar os estratos mais significativos da entrevista concedida pelo Comandante-Geral da Polícia, Jorge Khalau.

NOTÍCIAS (NOT) – Senhor comandante, a quadra festiva está à porta e muito recentemente insurgiu-se pelo facto de os agentes da Polícia continuarem a extorquir dinheiro dos cidadãos. Tudo indica que não se está a conseguir controlar este fenómeno!…

JORGE KHALAU (J.K.) – Fi-lo como nossa cultura, de orientar os polícias no sentido de apresentarem boa conduta no desempenho das suas actividades. Não vou dizer que as extorsões estão a aumentar no seio da nossa força, mas há uma preocupação em relação a este fenómeno que, felizmente, temos estado a notar que tende a baixar, a avaliar pelos resultados do nosso trabalho persistente e prevalecente. Hoje é normal um agente de Trânsito prender um corruptor, aquele que tenta corromper o nosso polícia. Temos casos de pessoas detidas, com processos nos tribunais e outras condenadas porque tentaram corromper os policiais. Para dizer que a corporação, em particular a de Trânsito, está a registar melhorias. O importante é trabalhar para acabar com focos que ainda persistem e que têm manchado a nossa farda. O nosso apelo é no sentido educativo para que os nossos elementos não enveredem pela via da extorsão.

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NOT – Nesta época do ano tem se visto agentes de Trânsito e Protecção mais preocupados em exigir documentos aos turistas e mineiros. Como acabar com esta “caça” desenfreada por este grupo de pessoas que chega até a pôr em causa o investimento estrangeiro?

J.K. – Os nossos agentes não devem pautar por esse comportamento não só com relação aos estrangeiros ou mineiros, mas para com qualquer cidadão. Reiteramos que se houver algum polícia que durante este período festivo extorquir quem quer que seja vamos retê-lo até o próximo ano. Não teremos contemplações. Para o efeito, pedimos a colaboração de todos para que possamos reter todos os agentes que se furtarem das suas actividades e se envolverem em extorsões aos cidadãos. Essas são medidas internas que tomaremos contra todos que não acatarem as nossas ordens. Vão passar a quadra festiva nos calabouços e os seus processos só serão atendidos no próximo ano. Queremos que as pessoas gozem estes dias de festa na maior alegria.

NOT – Há dados que nos possa apresentar sobre quantos polícias foram detidos ou punidos durante o ano prestes a findar por extorsão?

J.K. – Tivemos vários casos, alguns dos quais de agentes condenados e outros à espera de julgamento. Neste momento não posso precisar o número, mas temos alguns. Dizer que esta situação não me agrada. Quando um agente da corporação é detido, julgado e condenado por extorsão ou qualquer outra prática criminal, eu, na qualidade de Comandante-Geral da Polícia, não me sinto satisfeito. Quando isso acontece sinto que tenho de falar e fazer mais trabalho para os meus colegas me ouvirem e perceber que temos de dar o nosso máximo para o bem dos cidadãos. Por outro lado, chama-me atenção para ser mais cauteloso na hora de recrutamento de mais jovens para a nossa força.

NOT – Comparativamente aos outros anos, qual é a principal mensagem para a sociedade nesta quadra festiva?

J.K. – Que todos cidadãos continuem a fazer a vigilância popular, colaborando connosco no sentido de denunciar os criminosos, aqueles que perturbam a ordem e segurança pública nos bairros. Apelar também à colaboração para a denúncia dos raptores, visto que estes usam residências em determinados bairros para esconder as suas vítimas. Se há uma casa com pessoas estranhas tratem de denunciar à Polícia porque estaremos perante um grupo de malfeitores. Queremos que denunciem todos alojamentos dos raptores para podermos controlá-los.

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