
Estes números foram revelados sexta-feira passada, na Manhiça, pela directora Executiva da Associação das Mulheres Desfavorecidas na Indústria Açucareira, Maria Adozinda de Almeida, no decurso de uma formação dirigida a agentes da Polícia, para-legais e activistas de Manhiça, Marracuene, Magude e Matola.
Maria Adozinda disse que Xinavane e Maragra registaram os maiores números de violação e abuso devido à existência de muitos trabalhadores sazonais que se dedicam ao cultivo, plantio e corte de cana-de-açúcar nos canaviais das empresas açucareiras ali localizadas. Em cada uma das seis localidades, regista-se uma média de 20 casos de abuso de mulheres ou crianças, por mês.
A mesma fonte afirmou que casos há em que mulheres e crianças são abusadas e abandonadas. Disse, por exemplo, que já houve um caso em que uma criança foi violada e levada ao comando distrital da PRM na Manhiça. Estranhamente, o indiciado desapareceu das celas sem deixar rastos.
“Quando nos aproximámos não nos deram o verdadeiro nome como forma de nos dificultar o processo. Mas, com esta formação passaremos a coordenar as acções”, disse.
Disse que em muitos casos de violação e abusos de mulheres e crianças, a Polícia e os para-legais trabalhavam de uma forma descoordenada.
“Capacitámos 30 Polícias, 20 para-legais e 10 activistas comunitários para a uniformização de atendimento, coordenação de acções entre os gabinetes de mulheres e crianças e Polícia”, disse.
O curso teve como facilitadora a Maria Sopinha, chefe do gabinete de atendimento da Mulher e Criança vítima de violência doméstica a nível da cidade de Maputo. O projecto é da Action Aid e é implementado pelo Movimento de Educação para Todos, Associação de Mulheres Desfavorecidas na Indústria Açucareira e Faculdade da Educação da Universidade Eduardo Mondlane.














