A Polícia da República de Moçambique (PRM), na pessoa do porta-voz do comando-geral, Pedro Cossa, distanciou-se das supostas investigações em curso com envolvimento de agentes da PIC, os quais foram filmados secretamente pela STV, denunciando uma mulher que teria contratado dois bandidos para matarem o seu próprio marido.

Segundo a STV, os contratados para a execução do plano são dois agentes da Polícia de Investigação Criminal (PIC) que, por sua vez, terão contactado a vítima para lhe alertar acerca do que estava a ser planeado contra si.
Cossa deu a entender que os agentes não estão a agir oficialmente, daí que disse que as hierarquias da polícia só tomaram conhecimento do assunto após a STV ter passado a primeira parte da história na segunda-feira e conseguiram identificar a mulher, bem como o marido que seria a vítima.

“O que nós queremos alertar a todos quantos viram a peça e toda a sociedade moçambicana é que o Comando-Geral da PRM distancia-se totalmente daquele cenário que fere a vista de todo indivíduo que viu. Não são métodos de funcionamento de nenhuma área da polícia moçambicana. São da inteira responsabilidade, quer das pessoas que contrataram a eles (os agentes), quer dos próprios policias  afectos à PIC”, explicou.

Acrescentou que a polícia vai procurar saber junto das partes,  quais foram as motivações para que fosse produzido, segundo ele, “aquilo que eles chamaram de trabalho de investigação alegadamente com agentes da PIC”.

Cossa reiterou que a polícia não foi consultada em nenhum momento para a produção daquelas imagens que, na sua opinião, foram feitas fora dos regulamentos policiais e que os supostos não foram mandatados por nenhum agente superior. Referiu que a investigação criminal na cidade de Maputo, assim como noutro canto,  é tutelada por um director.

“Quer ontem quer esta manhã, foi chamado aqui ao Comando-Geral o director da PIC para explicar o sucedido e ele foi peremptório ao dizer que não conhece o assunto. Por isso, estamos distantes do caso”, afirmou.

Acrescentou que “nós acreditamos que daqui em diante,  mais detalhes serão apurados pelo comando e posteriormente poderemos dar mais informações sobre o caso”.

O porta-voz garantiu que foi identificada a cidadã que contactou os indivíduos, incluindo o tal de marido envolvido no caso. “Estão aqui na cidade de Maputo”, disse.

Referiu que a suposta vítima trabalha numa empresa, cujo nome não quis revelar,  onde ocupa o cargo de administrador.
A fonte recordou que tudo começa com uma mulher que, querendo se livrar do seu marido, estava para contratar bandidos, mas acabou supostamente por se envolver com dois agentes da PIC, sem o saber. Ela pretendia que o seu parceiro fosse  maltratado,  despoja-lo dos seus cartões bancários e depois assassinado.

“Tudo indica que tais gravações terão sido feitas com o conhecimento e autorização do marido dessa senhora. Mas, como tudo foi feito, a polícia não sabe. O que sabe é que decorre neste momento uma acção através da qual apuraremos definitivamente o que aconteceu na verdade”, sublinhou.