TPM
OS trabalhadores e o Conselho de Administração da Empresa Municipal de Transporte Rodoviário de Maputo (EMTPM, E.P.) estão de costas voltadas, na sequência da falta de consenso quanto ao reajuste salarial da massa laboral daquela transportadora.

O pomo da discórdia tem a ver com o facto de a empresa pretender pagar apenas seis dos 17.13 por cento a que os trabalhadores da empresa dizem ter direito, conforme foi aprovado pelo Governo no quadro da última revisão salarial, em que ficaram enquadrados no chamado “Grupo 7”.

Uma fonte do comité sindical local explicou que o Conselho de Administração da EMTPM, E.P., alega que somente pode pagar seis por cento e não 17.13 instituídos pelo Governo porque a empresa está endividada.

As negociações iniciaram a 25 de Maio último e se arrastam até hoje, estando, neste momento, numa situação de impasse.

Dados obtidos dão conta que o comité sindical e os trabalhadores teriam cedido de 17.13 para 16 por cento, ao que o Conselho de Administração não anuiu, aceitando apenas tirar um por cento de um outro sector, não especificado, para acrescentar nos seis anteriormente propostos e assim ficar em sete. Esta “aritmética” não terá sido do agrado dos mais de mil e quatrocentos trabalhadores da empresa que, segundo o comité sindical local, se consideram injustiçados.

Na segunda-feira, em mais uma ronda negocial, o sindicato teria solicitado que fosse a própria Direcção da empresa a informar que somente pagaria seis por cento e não os 16 aceites pela massa laboral. No mesmo dia os administradores da empresa reuniram-se com os sectores de manutenção e administrativo com vista a dar o informe, acto prontamente recusado por este grupo de trabalhadores.

A situação forçou a Direcção da empresa a anular o encontro que havia marcado no período da tarde com o sector de tráfego, considerado o “coração” da empresa.

A nossa Reportagem soube ainda que foi marcada para hoje à tarde mais uma sessão de negociações.
Entretanto, num comunicado emitido na tarde de ontem, a Direcção dos EMTPM, E.P., reconhece haver negociações visando o reajustamento salarial que vêm decorrendo desde o mês de Maio.

No seu documento, a Direcção da empresa refere que, uma vez já passar muito tempo desde que iniciaram as negociações sem consenso entre as partes, houve necessidade de se esclarecer aos trabalhadores sobre o ponto de situação, num encontro realizado com os trabalhadores.

“Não obstante os esforços em curso, a Direcção da empresa ficou surpreendida com a atitude tomada por alguns colaboradores, que pretendem criar um clima de agitação no seio da empresa, numa altura em que ainda decorrem os procedimentos recomendados para este tipo de situações visando encontrar uma solução eficaz que satisfaça as partes”, lê-se na nota de imprensa da empresa, que, igualmente, apela à calma e colaboração de todos em prol do desenvolvimento da empresa.