Estradas de Maputo poderão vir a ter faixas de rodagem exclusivas para “chapas”
Estradas do país poderão vir a dispor de faixas de rodagem destinadas especificamente aos transportes públicos e semi-colectivos de passageiros, vulgo “chapa”. A medida enquadra-se no âmbito das estratégias de combate ao congestionamento que se verifica, sobretudo nas principais vias rodoviárias do país consubstanciado pelo aumento do parque automóvel no país.

Para o efeito, foi debatido ontem em Maputo o “Plano Director de Transporte Urbano para Região do Grande Maputo”, visando colher subsídios para elaboração do plano. O plano deverá estar pronto até finais do presente ano. A sua posterior implementação deverá ser ainda acordada após a conclusão da elaboração do plano, segundo foi dado a conhecer no encontro. É, por tudo isso, muito prematuro.
O debate reuniu várias pessoas e organizações nacionais e internacionais que operam em Moçambique ligadas aos ramos de transportes rodoviários.

Segundo foi dado a conhecer, a Estrada Nacional Número 1 (EN1), apenas na zona de Maputo, será a primeira estrada onde será introduzido este programa de faixa de rodagem destinada especificamente a transportes públicos e semi-colectivos de passageiros.

João Matlombe, vereador para área de transportes do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, disse que numa fase experimental o projecto será implementado apenas na província de Maputo-Cidade. Justificou a escolha de Maputo alegando o facto de a província estar a registar um aumento crescente de parque de automóvel, situação que cria congestionamento nas suas vias. Mesmo sem avançar valores, Matlombe reconheceu que o projecto custará somas elevadas tendo em conta que nalguns casos haverá necessidade de reajustar as infra-estruturas rodoviárias, aumentando as larguras das estradas de modo a criar condições para que haja outra faixa destinada apenas aos transportes semi-colectivos.

Por seu turno, David Simango, presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, disse que a implementação do projecto constitui um grande desafio, alegadamente pelo facto de acarretar fundos elevados. Simango classificou de “caótica” a actual situação de congestionamento em Maputo, tendo garantido que o projecto ora em debate poderá resolver a actual situação de congestionamento que se verifica.

Simango alertou que o problema de congestionamento se resolverá também com uma boa educação na condução dos próprios automobilistas que devem saber respeitar as regras de trânsito.
“Após a implementação deste projecto, caberá à Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) juntamente com seus membros educar os automobilistas para saberem respeitar as regras”, Vincou Simango.

Associações de transportes semi-colectivos

Por seu turno, as associações de transportes semi-colectivos de passageiros congratularam-se com a iniciativa, acreditando, também, que o projecto poderá mesmo resolver o caos de transportes. Mas criticaram o facto de só agora o projecto estar a ser debatido. Para eles, este projecto já deveria estar a ser implementado, tendo em conta o martírio e o caos instalado nas rodovias.

Refira-se que o projecto de criação de faixas de rodagens destinado apenas a transportes semi-colectivos de passageiros é parte do denominado projecto “Estrada Circular” cujas obras já arrancaram, estando ainda na fase de organização documental e legalização. A estrada circular está avaliada em 315 milhões de dólares americanos, dos quais 300 milhões são disponibilizados pelo Governo da China. Terá 74 quilómetros, segundo os promotores do projecto que permitirá a ligação entre a cidade de Maputo, Matola e a vila de Marracuene, como alternativa para o crescente congestionamento do trânsito no acesso à capital do país.
O preço de construção do quilómetro da estrada circular tem estado a suscitar comentários preocupantes pelo elevado valor que se projecta. Alega-se que inexplicavelmente os números apontam para valores que são muito elevados comparativamente ao custo de um quilómetro das melhores estradas noutras partes do mundo.

Ainda ninguém do governo veio a público explicar devidamente os valores envolvidos neste empreendimento que deverão ser pagos aos financiadores pelas gerações vindouras.