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Sábado, Abril 4, 2026
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Trabalhadores do ISCAM solicitam intervenção do Primeiro-Ministro

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Funcionários do Instituto Superior de Contabilidade e Auditoria de Moçambique (ISCAM), em verdadeiro “pé de guerra” com a direcção daquela instituição a quem acusam de “arrogância, nepotismo e perseguição de trabalhadores”, já submeteram uma carta à Inspecção Geral do Ministério da Educação (MINED) e pedem que o Primeiro-Ministro, Aires Ali, nomeie novo director.

A carta, cuja cópia está em poder do Correio do manhã, foi submetida ao MINED no dia 20 de Abril de 2012, quase duas semanas depois de o nosso jornal ter reportado em exclusivo o clima de clivagem entre a direcção do Instituto Superior de Contabilidade e Auditoria e a massa laboral.

Na referida carta, o grupo de funcionários revoltosos com a situação afirma que o ISCAM não parece ser uma instituição de ensino superior.

Comparam-na a um “quartel nazi”, sob ordens de Adolf Hitler, na Alemanha, uma vez que, alegadamente, “o director deste estabelecimento de ensino, João Moreno, intimida os funcionários e faz da instituição sua propriedade, juntamente com a Drª Anatólia”.

“Será que Moreno e Anatólia são insubstituíveis?”, questiona o grupo de funcionários descontentes, pedindo a quem de direito para solucionar rapidamente o problema que, no seu entender, passa necessariamente pela substituição de João Moreno no cargo, “porque ele é uma aberração, não serve para a instituição que se pretende tenha mudanças e se desenvolva (…) não serve, se calhar houve erro de escolha”, salienta a carta submetida à Inspecção Geral do Ministério da Educação.

De referir que esta instituição conta com 61 docentes, dos quais seis a tempo inteiro.

LDH aposta em esquadras especiais para prevenir linchamentos de supostos criminosos

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A Liga dos Direitos Humanos em Tete está a implementar um projecto de sensibilização e criação de esquadras apropriadas para o encaminhamento de supostos criminosos, com o objectivo de estancar a onda de linchamentos.

Segundo a Rádio de Moçambique, que cita a presidente da Liga dos Direitos Humanos, trata-se das província de Maputo, Sofala e Manica que estão a ser abrangidas por este projecto, financiado pelos Governo do Canadá e Suíça.

Maria Alice Mabote disse que o projecto consiste na sensibilização das comunidades e criação de esquadras especializadas para onde serão encaminhados os supostos criminosos, muitos dos quais são linchados por populares.

A escolha destas três províncias deve-se ao facto de liderarem a lista dos linchamentos no país, embora não tenha apresentado números.

A presidente da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos referiu que neste momento o projecto já arrancou na província de Maputo, onde está em curso a reabilitação três esquadras nos bairro

Ex-ministro da Justiça e ex-deputado disputam cargo de Provedor de Justiça em Moçambique

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O ex-ministro da Justiça moçambicano José Abudo e o presidente do partido Monamo, pequena força política extraparlamentar, Máximo Dias, disputam o cargo de primeiro Provedor de Justiça do país, que vai ser eleito na actual sessão parlamentar.

Segundo a agência Lusa, o cargo de Provedor de Justiça em Moçambique foi criado pela Constituição da República em vigor desde 2005, mas manteve-se vago até ao momento por o seu preenchimento não ter sido agendado pela Assembleia da República.

José Abudo, juiz de profissão, concorre ao cargo por designação da bancada maioritária da Frelimo. Abudo reúne por isso amplas possibilidades de ser eleito, uma vez que a FRELIMO tem uma esmagadora maioria de 191 dos 250 assentos do parlamento.

Máximo Dias, advogado e ex-deputado, disputa a vaga por indicação do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), partido com apenas oito deputados no parlamento.

O principal partido da oposição, a Renamo, que detém 51 assentos, não apresentou nenhum candidato, por razões desconhecidas, mas aparentemente relacionadas com as poucas hipóteses de vitória de um candidato da oposição, face à maioria qualificada da Frelimo.

Na audição pela Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e da Legalidade da Assembleia da República, José Abudo indicou a tutela dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos como o enfoque da sua actuação, caso seja eleito. Já Máximo Dias comprometeu-se “a estar à altura das expectativas dos cidadãos”, se for eleito.

Bebé morre sufocado por álcool de mãe embriagada

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Uma mulher está a contas com as autoridades policiais de Inhambane, indiciada de ter morto o seu próprio bebé por excesso de consumo de álcool.

A vítima era uma recém-nascida, com cerca de um mês, e terá perdido a vida sufocada pelo intenso cheiro de álcool da bebida injerida pela progenitora. Esta, dizem as fontes da polícia, não prestou os devidos cuidados ao dormir com o seu bebé, dado o estado de embriaguez em que se encontrava.

O caso ocorreu em Rumbana, o bairro mais populoso da cidade da Maxixe. A vizinhança, segundo escreve a Rádio Moçambique, é que denunciou o caso às autoridades policiais, o que culminou com a recolha da suposta autora do crime aos calabouços.

Financiamento ao CNCS foi cortado de 90 para 3 milhões de meticais

Com este corte, o CNCS fica mais fragilizado e não terá capacidade para se reerguer e financiar projectos de combate à doença
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Os doadores internacionais reduziram os fundos que alocavam ao Conselho Nacional de Combate à Sida (CNCS) de 90 milhões de meticais para apenas 3 milhões. Com este corte, o CNCS fica mais fragilizado e não terá capacidade para se reerguer e financiar projectos de combate à doença. A crise financeira que se abate sobre o CNCS poderá afectar vários programas de resposta nacional ao HIV/SIDA em curso um pouco por todo o país, que se mostravam eficazes sobretudo na região centro onde se assiste a uma redução de infecções.

INTERPOL instala-se na Beira

A Polícia Internacional (INTERPOL) está desde a semana passada na cidade da Beira e no corredor com o mesmo nome à procura de viaturas supostamente roubadas na República da África do Sul e em outros países vizinhos.
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Isso, no âmbito dos acordos existentes na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) no tocante ao crime transfronteiriço.

O chefe da Secção de Imprensa do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Sofala, Mateus Mazive, confirmou a existência de uma equipa da INTERPOL na Beira e assegurou que já há muitas viaturas recolhidas no âmbito da referida campanha. Mazive não revelou o número exacto dos carros parqueados, mas assegurou que a operação está a surtir os efeitos desejados.

`Confirmo, sim, que a INTERPOL está na nossa cidade para fiscalizar viaturas, com o objectivo de descobrir as que, eventualmente, foram roubadas na África do Sul, em particular, e em outros países da região Austral de África, no geral. A operação está a acontecer na cidade da Beira e vai abranger ainda todo o Corredor da Beira´ – explicou Mateus Mazive.

Vários agentes de diferentes especialidades da corporação do nosso país, com destaque para a Polícia de Trânsito e de Protecção, estão espalhados em toda cidade da Beira, principalmente em rodovias tidas como estratégicas e de maior movimentação, auxiliando a vigilância em alusão.

Este facto está a agudizar o engarrafamento que já é uma realidade na capital provincial de Sofala, sobretudo nas horas de ponta. Informações em nosso poder dão conta que muitos proprietários de viaturas compradas na vizinha África do Sul optam por parqueá-las em casa com medo que sejam recolhidas pela INTERPOL.

`Muitos dos nossos carros trazem documentação aparentemente legal e foram importados da África do Sul e outros adquiridos mesmo nas garagens das cidades da Beira e Maputo, mas quando aparece a INTERPOL são considerados quentes. Por isso, não entendemos como estas coisas funcionam´, disse um residente da cidade da Beira, identificado pelo nome de João António, entrevistado pelo Notícias.

Entretanto, aliado à operação da INTERPOL, a Polícia de Trânsito está a desenvolver uma campanha de educação rodoviária aos cidadãos de modo a reduzir o registo de acidentes de viação, que diariamente vão causando luto na cidade da Beira, em particular, e no país, em geral…

São esperados mais de 120 mil candidatos nos exames extraordinários

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Estão marcados para a primeira semana de Julho, os exames extraordinários da 10ª e 12ª classe. Em relação a estes últimos, a Comissão Nacional de Exames espera que 120 mil candidatos concorram às diversas disciplinas desta classe.

O mesmo cenário não se verifica na 10ª classe, onde o número de candidato tende anualmente a reduzir.

Jafete Mabote, Director do Conselho Nacional dos Exames Certificação e Equivalência, justifica esta redução pelo facto do ensino à distância estar a absorver muitos estudantes das 10ª classe.

Mais adiante, Mabote referiu-se à importância deste processo e lamentou o desempenho dos candidatos, muito aquém do desejado.

Nas escolas, a agitação das inscrições, que teve início na semana finda, já começou. Aliás, em algumas disciplinas, para surpresa de muitos candidatos, as vagas já estão preenchidas.

A inscrição para os exames termina no dia 16 do mês em curso.

Indivíduo ameaça despejar seus familiares no bairro 25 de Junho “B”

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Atormentada e sem saber para onde ir, é a situação duma família residente no bairro 25 de Junho “B”, cidade de Maputo, que nos últimos dias, viu o seu próprio primo a fazer uma série de ameaças, caso esta não abandone a dita habitação dentro de trinta dias.

Zulmira é solteira nasceu e vive nesta casa há mais três décadas. Contou à TIM que herdou-a dos seus progenitores, não entendendo o motivo pelo qual Pedrito, seu primo, pretende agora desalojá-la.

Jacó, irmão mais velho de Zulmira, explica que a habitação pertence aos seus pais há mais de quarenta anos.

Vizinhos, bem como o chefe de quarteirão, entendem não haver motivos suficientes para Pedrito despejar os próprios primos, uma vez que o ele mesmo possui a sua própria residência, também ela herdada dos seus progenitores.

À nossa reportagem, Pedrito não conseguiu esconder o nervosismo, tendo as suas explicações sido muito pouco convincentes.

Para intimidar os seus primos, Pedrito descarregou no terreno areia grossa, para subsequentes obras.

No local, a TIM ficou a saber que Irene, a suposta proprietária do imóvel, foi penalizada com uma multa de dois mil e quinhentos meticais, tendo ficado ainda responsável pela limpeza do quarteirão durante trinta dias.
Esta penalização ficou a dever-se ao facto de não ter comparecido a uma das audiências do tribunal local.

Lixo inquieta munícipes de Monapo

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A população do município de Monapo, na província de Nampula, está preocupada com a precariedade em que se encontram as ruas, os mercados, as escolas e os locais públicos, devido à quantidade de lixo naqueles locais.

Segundo alguns munícipes entrevistados pela nossa reportagem, grande parte dos locais públicos não beneficia de recolha de resíduos sólidos há mais de uma semana. Amina Joaquim, de 36 anos de idade, afirmou que no mercado central de Monapo há uma enorme quantidade de lixo que ainda não foi removido, apesar de se cobrar taxas diárias.

“O município está preocupado com dinheiro e não com o bem-estar do povo, daí que arrancam-nos o dinheiro e não fazem nada em prol do desenvolvimento da vila”, disse Amina que acusa o edil como sendo burlão da população, pois, depois de ser eleito, pouco se reúne com os munícipes, muito menos realiza actividades que garantem o bem de todos.

“Nesta vila, se não há casos de doenças é porque Deus gosta desta população e não nos quer ver mal. O edil e o seu elenco querem ver todo o povo doente ou morto”, acusou para depois afirmar que na vila de Monapo, além dos problemas ligados à higiene, há falta de água potável, vias de acesso em bom estado e tantos outros serviços.

Laura Matias Israel, de 26 anos de idade, afirmou que o mandato de João Luís, presidente do município de Monapo, não trouxe melhorias, ou seja, nenhuma componente do seu manifesto eleitoral foi realizado.

Apesar de passar um grande rio com o mesmo nome de distrito, a população ainda debate-se com problemas de água potável e a população tem vindo a disputar com animais o precioso líquido.

“Se repararmos a componente de lixo podemos-nos considerar os donos porque o município não consegue remover a nível da vila que ainda consideramos pequena”, disse.

Laura Israel disse ainda que na vila de Monapo há lixo por quase todos os locais, principalmente nos mercados.

“Quando vamos aos mercados da vila, os consumidores perdem vontade de comprar algo devido à precariedade do mercado, porque as pessoas afastam o lixo e colocam a sua mercadoria para vender”, disse.

Abudo Mamugi, de 30 anos de idade, afirmou que na vila de Monapo a população vive sem nenhum comando e os que pagam o imposto estão a ser burlados, pois pagam e não têm benefícios. “No mercado onde as pessoas são cobradas todos os dias ainda há muito lixo”, disse.

Entretanto, o presidente do município de Monapo, João Luís, na sua intervenção começou por dizer que considera legítimas as preocupações da população, mas justifica-se dizendo que o município possui somente um único tractor em estado obsoleto que se dedica à recolha de lixo, daí que há muitas dificuldades em responder à demanda.

João Luís disse que nesta fase em que o município encontra-se vai ter que sofrer na componente da recolha de lixo porque segundo ele há outras áreas que o seu elenco achou prioritárias.

O edil de Monapo afirmou que apesar de tudo o seu elenco vai trabalhar no sentido de alocar-se um tractor para substituir o tractor que encontra-se estragado.

Num outro ponto, o nosso entrevistado referiu que, neste momento, o município de Monapo está junto de alguns municípios de Portugal a criar esforços no sentido de serem financiados projectos que visam apoiar o na componente de saúde, Higiene, Água e construção de escolas.

Acidente de viação faz 3 óbitos e fere 25 pessoas após presidência aberta de Armando Guebuza

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Três óbitos, um ferido grave e 25 ligeiros é o balanço de um acidente de viação, ocorrido, Sexta-feira, no posto administrativo de Dacata, distrito de Mossurize, quando as vítimas saíam da visita presidencial em Mandie.

Os óbitos faziam parte de 4 feridos graves do acidente, no qual um deles era menor, acabaram por perder a vida em Espungabeira, no mesmo distrito, depois de serem atendidos no pronto-socorro em Dacata.

Estes foram atendidos no Centro de Saúde de Dacata, que por falta de pessoal e meios tiveram de ser transferidos para Espungabeira.

O caso aconteceu quando uma viatura da marca Toyota, caixa aberta, cuja identificação da matrícula não foi possível apurar, na altura conduzido por Wilson Sitole, despistou-se e acabou por capotar.

Segundo testemunhas no local, são causas do acidente o excesso de velocidade e condução em estado de embriaguez. “Nós pedimos a esse motorista para nos levar de volta para Dacata, só que ele estava sob efeito de álcool. O tapom de trás não estava seguro, o que facilitou para que as pessoas tivessem aquela queda”, disse uma das vítimas do sinistro, Manuel Mbofana.

O motorista Wilson Sitole, residente do distrito de Mossurize, afirma ter visto a sua viatura capotar de repente, sem saber exactamente o que causou o incidente.

O Planalto perguntou se teria consumido álcool, o que estava visível, eis que respondeu que “eu bebi pouco, mas o acidente não foi por causa da bebida”, o mesmo motorista não tem carta de condução.

Por esta razão, a polícia vai encaminhá-lo para tribunal onde vai responder por condução ilegal e também por homicídio, visto a probabilidade de fazé-lo intencionalmente.

João Maluane, chefe do posto policial de Dacata, sublinhou que caso desta natureza, em que motoristas conduzem sob efeito de álcool, excesso de velocidade e falta de habilitações para conduzir é encaminhado para as instâncias superiores.

Segundo Maluane, há muitos casos em que cidadãos conduzem viaturas sem carta de condução e licença do mesmo, acrescentou que isto é porque os agentes de trânsito não circulam naquela zona.

“Neste distrito, muita gente não tem carta de condução, nem licença de viatura, é por isso que se tem registado muitos acidentes, porque as pessoas não têm noção do perigo disto”, concluiu João Maluane.

Aliás, a visita presidencial foi marcada por acidentes de viação, tendo começado, Sexta-feira, dia em a assessora do Chefe de Estado, Marlene Magaia, o motorista do carro em que seguia para Gôndola, despistou e embateu contra um poste de energia.

Ela teve apenas entorse no pé direito, na altura o motorista disse que não sabia como aconteceu, visto que de repente viu a curvar demais o volante e, tendo se despistado para a mata, optou em embater num tronco de energia para reduzir a velocidade, pois caso contrário os danos seriam maiores.

Padres convocam imprensa para denunciar violência em Maputo

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A Conferência dos Religiosos de Moçambique, uma organização católica, convocou para hoje uma conferência de imprensa, visando denunciar a onda de violência contra os padres. A conferência, a decorrer nas instalações do Instituto Superior Maria Mãe de África, pelas 11 horas, é convocada na sequência do assassinato, na noite da última quinta-feira, por um grupo de seis malfeitores, do padre Valentim Camale, da paróquia Santa Teresinha Menino de Jesus, localizada no bairro Liqueleva, no Município da Matola.
Trata-se do segundo caso, depois de na sexta-feira Santa três padres da paróquia Santo António da Malhangalene terem sido amarrados, durante cerca de uma horas, e roubados bens, incluindo dinheiro, uma situação que não só deixou em choque os crentes, como também as próprias vítimas.

Padre Valentim Camale foi espancado por instrumentos contundentes, durante o assalto,  até perder a vida. Igualmente, o guarda dessa paróquia contraiu ferimentos graves.

consta que os referidos malfeitores introduziram-se na residência paroquial por volta das 20h00.

Tribunal manda libertar agentes da Polícia detidos sem culpa formal

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O Tribunal Judicial da Cidade de Maputo acaba de ordenar a soltura provisória dos sete agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) que se encontravam detidos por ordens da PIC – Polícia de Investigação Criminal.

Os mesmos são acusados de tentativa de assassinato do recentemente exonerado director da PIC, ao nível da Cidade de Maputo, o inspector Dias Balate. Os referidos agentes eram responsáveis pela guarnição das empresas de Momed Satar, vulgo Nini Satar.

Os agentes estão em liberdade provisória sob termo de identidade e residência. O tribunal concluiu não existir razões suficientes para manter os agentes detidos. O tribunal também fixou uma caução de 100 mil meticais para cada agente, mas, segundo fontes policiais eles não conseguiram pagar o montante mas mesmo assim foram postos em liberdade.

Os agentes estão acusados pela PIC de tentativa de assassinato do antigo director da PIC, Dias Balate, em conivência com a esposa de Nini Satar, de nome Sheila Adão Issufo, que também tinha sido detida acusada do mesmo crime, mas foi restituída à libertada tal como os agentes.

Sheila Adão Issufo acabou sendo também posta em liberdade mediante o pagamento de uma caução no valor de 100 mil meticais, depois do juiz da 7ª Secção do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo concluir que não havia razão suficiente para a manter detida.

Em sede do Tribunal, os agentes negaram as acusações de que teriam sido aliciados pela família Satar para matar o ex-director da PIC, e disseram apenas que guarneciam as empresas de Nini Satar a mando do próprio comando da PRM da cidade de Maputo, em regime de policiamento…

Dhlakama sugere que sociedade civil seja excluída da CNE

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Numa altura em que tarda o consenso sobre a composição e designação dos membros da Comissão Nacional de Eleições (CNE), o líder da Renamo, falando em Nampula, defende que a nova legislação eleitoral deve excluir a sociedade civil, por essa ser mais perigosa do que os membros dos partidos políticos.

Contrário à premissa de que a sociedade civil é o garante da não partidarização dos órgãos eleitorais e o maior avanço conseguido até agora na lei eleitoral, o presidente da Renamo defende a exclusão da `sociedade civil da CNE´.

Num encontro havido em Nampula, onde estiveram presentes ex-vereadores dos municípios de Nacala-Porto e Ilha de Moçambique, antigos deputados da Assembleia da República, a Renamo pretendia analisar o seu posicionamento político face ao impasse relativo à revisão da legislação eleitoral na Assembleia da República.

O líder da Renamo justifica a decisão recorrendo a dois aspectos: primeiro, porque as eleições interessam aos partidos políticos e não à sociedade civil; segundo, porque, em Moçambique, a sociedade civil é controlada pela Frelimo que beneficia dela.

A Renamo defende também que a eleição dos vogais da CNE obedeça a um princípio de paridade e não de proporcionalidade. Na lógica da Renamo, a Frelimo, a Renamo e o MDM deverão ter, cada, cinco membros na CNE. Os partidos extra-parlamentares não devem ser ignorados: estes deverão ter dois representantes na CNE.

Quanto ao STAE, a Renamo defende que este seja composto por membros de partidos políticos e não meros técnicos. A Renamo defende ainda que o STAE seja um departamento da Comissão Nacional de Eleições, o que contraria a visão da Frelimo de reduzir o papel daquele órgão, retirando-lhe todas as competências executivas…

Mancebos a caminho dos centros de instrução básica militar

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Entre os referidos centros destacam-se os de formação de Forças Especiais, em Nacala, na província nortenha de Nampula, de instrução básica de Mabote, em Inhambane, no sul, bem como o centro de Munguine, na província de Maputo.

Cerca de 130 mancebos, de ambos os sexos, partiram sexta-feira de Maputo para os diferentes centros de instrução básica militar espalhados pelo país. A cerimónia de despedida foi presenciada por numeroso público, entre familiares e amigos dos jovens que, doravante, passam a fazer parte das Forças Armadas de Defesa de Moçambique – FADM.

Segundo uma informação do Centro de Recrutamento e Mobilização da Cidade de Maputo, divulgada na ocasião, os mancebos serão distribuídos por diferentes centros de instrução básica militar, consoante as suas especialidades.

Salvador Namburete garante que o Governo está a envidar esforços para concretizar o projecto M’panda Nkuwa

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O Ministro da Energia, Salvador Namburete garantiu em entrevista a TIM que o governo moçambicano está a desenvolver todos os esforços para concretizar o projecto de construção da barragem de M’panda Nkuwa no rio Zambeze, ajudante da barragem de Cahora Bassa.

Namburete disse que se continua a registar no país e na região um deficit de energia de qualidade, por isso, é de todo o interesse do governo que este projecto se concretize.

O Ministro da Energia foi lacónico quando respondia a questão colocada quanto a data de inicio de construção da barragem.

Salvador Namburete, confirmou que as mineradoras Vale Moçambique e Rio Tinto, ambas localizadas na bacia de Moatize em Tete, tem nos seus planos a construção de centrais térmicas de produção de energia, não só para seu consumo, assim como para distribuição a outros interessados.

Ex-trabalhadores da PEPSI envolvem-se na burla de electrodomésticos

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Após várias burlas de geleiras, efectuadas no distrito da Namaacha, província de Maputo, por dois indivíduos que antes eram trabalhadores da PEPSI, eles acabaram detidos pela polícia da República de Moçambique, ao longo desta semana.

Para enganar as suas vítimas, os burladores faziam algumas transformações nas geladeiras, desde a pintura à sua composição, quer externa, quer interna, para depois colocá-las à venda. Os respectivos electrodomésticos eram roubados na PEPSI.

Perante a PRM, os dois repudiam a acusação, alegando que são apenas promotores de venda.

O porta-voz da PRM, na província de Maputo, garante tratar-se de uma quadrilha que causou muitas vítimas nesta vila.

Recorde-se ainda que foi em Namaacha, onde foram esta semana, neutralizados dois swazes e uma moçambicana, na posse de mais de trezentos e cinquenta mil Randes falsos.

Desmantelada Clínica clandestina na cidade de Nampula

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A polícia da República de Moçambique em Nampula desmantelou, na manhã desta Quinta-feira, uma clínica privada clandestina localizada no bairro de Muhala-Expansão, Unidade comunal do Renano, arredores do município de Nampula, pertencente a um cidadão de 50 anos de idade e natural do distrito de Mogovolas naquela província do norte.

O cidadão, que responde pelo nome de António Muge, é servente do Laboratório de Análises Clínicas (LAC) há dez anos e, segundo a polícia, foi possível a sua descoberta graças às denúncias populares e algumas pessoas que já haviam recebido tratamento naquela clínica sem sucesso na sua unidade da medicina moderna clandestina.

Dados policias indicam que no local foram encontrados diversos equipamentos hospitalares que o suposto dono da clínica usava para tratamento dos seus pacientes e medicamentos de diferentes espécies e qualidades em volumes enormes do Serviço Nacional de Saúde, o que preocupa como foram adquiridos por ele.

Na sua clínica foram encontrados vários frascos de penicilina e balões de SRO e seringas que acabavam de ser administrados.

A mãe e o cunhado do referido dono da clínica foram encontrados no local e os dois estão gravemente doentes, o que presume que estiveram a receber tratamento.

Desse lote de medicamentos, a nossa reportagm foi informada que o primeiro grupo de agentes da polícia que descobriu a clínica clandestina tenha uma quantidade de um e meio a dois fordos de fármacos e tantas outras quantidades de aparelhos de alta tecnologia para o tratamento e análise de doenças pouco tratadas nos Hospitais da cidade ou província de Nampula.

Segundo os mesmo dados fornecidos pela polícia e depostos pelo cidadão António Muge, ele adquiria os medicamentos com um grupo de estivadores que trabalham no depósito provincial de Saúde em Nampula que no momento de descarga vão desviando algumas caixas para posterior venda no mercado negro.

Aliás, soubemos que, além de comprar os fármacos com os estivadores, tem igualmente comprado nos diferentes mercados, o que se supõe que administrava os seus pacientes nalgumas vezes com medicamentos fora do prazo.

João Inácio Dina, porta-voz Do comando Provincial Da PRM em Nampula, afirmou que foram encontrados com o proprietário da clínica aparelhos de escuta, bombas de tensão arterial, seringas, ligaduras, material de gesso entre outros aparelhos e quantidades enormes de medicamentos do Serviço Nacional de Saúde e sem documentos que lhe permitem alocar daqueles serviços.

Disse Dina que a casa do proprietário da clínica clandestina transformou-se num consultório Médico e muitos que eram analizados no Laboratório das Análises Clínicas eram persuadidos a receber tratamentos na casa do António Muge.

Num outro ponto, o porta voz da PRM fez saber que todas as actividades por ele promovida eram realizadas de forma ilegal, dai que levou-lhe à detenção.

“Ele foi detido por praticar medicina ilegal e venda de medicamentos e criação de uma clínica clandestina” referiu João Inácio Dina.

Num outro ponto, o nosso entrevistado afirmou que já foi instaurado um processo crime contra ele e vai esperar o julgamento, detido nas celas da Segunda Esquadra na cidade de Nampula.

Sete menores violados sexualmente este ano em Inhambane

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Pelo menos sete menores com idades compreendidas entre 5 a 15 anos foram violadas sexualmente e consequentemente, contraíram ferimentos entre graves e ligeiros nos órgãos genitais, nos primeiros 4 meses deste ano na província de Inhambane.

Os incidentes foram notificados nos distritos nortenhos de Funhalouro, Govuro e Inhassoro, além de Massinga, Homoine e cidade de Inhambane, situados no centro da província de Inhambane.

O caso mais recente registou-se na semana passada em Homoine, onde, na calada da noite, um jovem de 23 anos, introduziu-se no interior de uma casa, agrediu e violou sexualmente duas crianças de nove anos de idade.

Edna Macuácua do gabinete da imprensa no comando provincial da Polícia da República de Moçambique em Inhambane, disse que as investigações feitas pela corporação mostram que o criminoso é amante da tia das vítimas.

No dia da consumação daquele acto macabro, o jovem dirigiu-se à casa da sua amada de 43 anos e ela estava ausente. No local, aproveitando-se da incapacidade de autodefesa das petizes, violou-as sexualmente.

Edna Macuácua explicou ainda que as crianças contraíram ferimentos nos órgãos genitais e foram levadas ao hospital, onde receberam cuidados médicos. O autor do crime disse a polícia que agiu inconsciente, pois, segundo ele estava sub efeitos do álcool.

A neutralização do malfeitor ocorreu depois da denúncia junto à polícia no distrito de Homoine, pela sua amante, como dissemos, a tia das menores.

Outro caso do género deu-se em Março último, no distrito de Inhassoro, quando um pescador agrediu sexualmente uma outra menor de 13 anos depois de ter aliciado a sua vítima, sem sucesso, para fazer relações sexuais em troca de dinheiro num montante não quantificado.

“A menina recusou a oferta do criminoso e imediatamente arrastou-a para uma mata próxima e atingiu os seu intentos” – explicou a polícia.

No mesmo período, neste caso no distrito de Funhalouro, um homem cuja identidade não foi revelada arrastou para o interior da sua casa uma criança de 12 anos, posteriormente arrancou-a a roupa e forço-a a fazer relações sexuais.

Em Massinga, em Fevereiro deste ano, um cidadão de nacionalidade chinesa, identificado como Cong Wen, foi detido depois de ter forçado uma menor de 12 anos a praticar sexo oral.

O crime foi consumado na residência do agressor, onde a adolescente encontrava-se a trabalhar como empregada doméstica. De acordo com a polícia Cong Wen, de 36 anos, que se afixou em Massinga como reparador de electrodomésticos, aliciou a sua vítima com 500 meticais para a prática de sexo oral.

“A menor apresentou-se na polícia traumatizada. Imediatamente foram accionados mecanismos que culminaram com a sua detenção” – disse Edna Macuácua.

Já em Janeiro, no distrito de Govuro, na região de Chimunda, um pai violou sexualmente a sua filha de 15 anos. Jeito Castigo arrastou a sua filha até ao quarto onde foi satisfazer o seu apetite sexual. O suposto violador foi detido depois da denúncia feita pela sua esposa que o encontrou em flagrante.

Questionado pela polícia, o pai da menor disse ter violado sexualmente a sua filha alegadamente porque a esposa estava a amamentar e passava longo tempo sem fazer relações sexuais.

O caso mais caricato aconteceu na cidade de Inhambane, no bairro Malembwane, onde um jovem de 21 anos violou sexualmente a sua enteada de 5 anos.

O jovem de nome Pascoal Rafael aproveitou-se da ausência da mãe da criança para praticar o crime de estupro a luz de dia.

Bebé morre em circunstâncias desconhecidas em Nampula

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Uma criança do sexo feminino de apenas dois meses de vida perdeu a vida na madrugada do último domingo em circunstâncias ainda desconhecidas na bairro de Muatala, cidade nortenha de Nampula.

Cerca das 5 horas da manhã deste domingo a mãe da vítima, que dormia na mesma cama com a sua bebé, a quem ainda nem nome havia sido dado, apercebeu-se que pequena estava imóvel e parecia não respirar. Em pânico chamou alguns vizinhos que confirmaram o pior temor, a criança estava sem vida.

Segundo a mãe, a criança não estava doente na véspera o que envolve em mistério as circunstâncias em que esta morte aconteceu.

Entretanto os vizinhos relataram que a bebé apresentava muitas nódoas negras, aparentemente causadas por forte pressão no frágil e pequeno corpo da vítima.

Os vizinhos acrescentaram ainda que a mãe poderá ter sido negligente pois é costume vê-la muito embriagada, tendo em diversas ocasiões abandonado a menor sozinha para ir consumir bebidas alcoólicas em barracas nas redondezas do bairro.

Segundo as mesmas fontes na noite de domingo, véspera da tragédia, a mãe esteve a consumir bebidas alcoólicas e poderá ter-se deitado sem querer, nem se aperceber, sobre a bebé causado-lhe a morte.

O pai, e esposo, estava ausente quanto tudo aconteceu pois exerce a actividade de taxista e passa longas horas fora de casa.

O Sabor da Ingratidão

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São quatro da manhã, o frio está no seu ponto mais alto, a cacimba embranquece tudo e quase nada se pode ver além do infinito branco espalhado pelo ar. As gotas que caem das folhas das árvores, ao tocarem em pele nua soam como agulhas ferventes penetrando em nosso corpo. Está frio! Mas é dia de trabalho, é segunda feira e Madala Ersnesto tem de se levantar e dirigir-se à baixa da cidade para tentar ganhar o seu pão. Lavar carros, enquanto na sua pequena banca estão expostos os produtos para serem comercializados (cigarros, fósforos, pastilhas, doces…) não é muito, mas dá-lhe algumas moedas. O suficiente para reforçar o caril, colorir o verde habitual aos finais de semana, ou melhor, ao domingo! Apesar da extrema pobreza, Madala Ernesto mantém-se culto, acreditando em sei lá o que, coisa que ele nunca chegou a perceber. Passou toda a sua vida pedindo dias melhores, mas nada foi ouvido por quem é de direito aplicar poderes sobre -naturais entre os vivos. Tudo manteve-se na mesma, ou tendia a piorar. Aos seus 78 anos, com muito esforço Madala Ernesto carrega um sorriso nos lábios, apesar das decepções que a vida lhe pregou, os retrocessos constantes que se fizeram sentir no seu dia a dia, ele sempre manteve o seu sorriso exposto aos olhos de todos, nunca alimentou o ódio, rancor contra o seu próximo, sempre tentou ajudar a quem lhe solicitasse ajuda. Madala Ernesto é um desmobilizado de Guerra, pegou nas armas que deram independência a este pais, ”A Perola do Índico”. Muito se alegrou por saber que os meninos poderiam passar a dormir em paz, sem temerem explosões, balas perdidas, sem serem olhados com desprezo exposto nas expressões fisionómicas… Lutou para dar às crianças uma escola mais decente, um futuro melhor. Ele não teve opurtunidade de ir à escola, era muito difícel em seu tempo um negro frequentar uma escola, em uma universsidade já nem se fala. Mas ele acreditava que podia haver uma mudança, pois ‘’É melhor acender uma luz nas trevas, do que amaldiçoar a escuridão, uma vela acesa pode acender as de mais… ”era nisso que ele acreditava. Então pegou nas armas e foi pelo mato dentro lutar contra os inimigos do povo Moçambicano… as súplicas ao poder divino estavam constantemente em seus lábios e em seu coração. Ao menos nisso ele foi atendido, a sua vida foi-lhe preservada e a bendita paz, alcançada! Só que depois disso, muitos que lutaram pela tal independência, foram esquecidos, não foram recompensados pelos seus esforços, pela sua bravura, entre os quais estava Madala Ernesto. Os meninos de ontem por quem ele lutou, são os senhores de hoje, que humilham e gracejam dele, da sua dita ignorância, sem saberem que ele é a história que primeiramente lhes foi apresentada sobre o seu nobre pais. Um livro vivo!

São quatro horas, é um dia como tantos, está frio de mais, mas é dia de trabalho e ele sabe que tem de se levantar. Ergue-se da sua esteira, com os pés rachados caminha sobre o cimento gelado da sua casa de chapa e zinco. Procura o fósforo para acender o candeeiro e dar alguma luz à casa enquanto fala baixinho para si próprio ” Mulher, filhos… para onde se foram, quem me dera poder descansar um pouco mais enquanto Tu oh Mulher preparas a minha ida ao trabalho e dos meninos à escola” achado o fósforo, surge nas trevas da minúscula casa uma luz, o ponto de partida para os seus afazeres matinais! Madala acende o lume no pequeno fogão a carvão para fazer um chá e aquecer o seu corpo. Nem ousa lavar a cara…mergulha apenas o dedo na chaleira e com ele tira as ramelas nos cantos dos olhos. ”hum, isto já ferveu, posso tomar o meu sagrado chá e pôr-me a andar, oh solidão, até a pobreza tem mais graça quando é compartilhada, ao menos pode-se lamentar em conjunto. Sara minha querida Mulher, que Deus te tenha! Danito meu neto ingrato que Deus te perdoe, na verdade entendo a tua miserável decisão de me ter abandonado. Eu seria um fardo velho e pesado para tu aturares, onde quer que estejas, em qualquer situação financeira que estejas, reza para que ela nunca retroceda, pois idoso rico nunca morre sózinho, caso não, vais acabar assim… do mesmo jeito que eu, abandonado! Assim como fizeste comigo” Suspira, serve o seu sagrado chá na chávena com mais de trinta anos, Sara adorava usá-la antes de dormir e ao amanhacer, foi presente de casamento de um branco que era o seu patrão. Era dono de uma mercearia que ficava no meio do seu povoamento. Sr Manuel Teixeira, um dos poucos que ficou em Moçambique após a Guerra de Libertação Nacional, isso pelo seu bom coração, o povo gostava dele e a muitos já havia ajudado em diferentes situações que a vida pregava a cada um, por isso, quando houve ataques na zona do Boquisso, o povo foi um dos primeiros a fazer frente para que nenhum dano ocorresse ao forasteiro. Madala Ernesto teve sorte, falava Português, mas não sabia escrever, o que não foi problema, ele servia de intérprete na mercearia. Havia gente que nem falar nem escrever sabia.Os que falavam, muitos deles usavam o “Português corta-Mato”. ”Hei você Ernesto, pode kanelar(dizer) esse branco um sakinha de açúcar mulato(castanho)” e lá ia Madala Ernesto transmitir a mensagem ao seu patrão ”patrão, ele quer um saco pequeno de açúcar, mas não aquele branco, aquele outro, mas não é branco, aquele parece o pôr do sol”. Sr Manuel entendia logo e logo tratava de entregar o produto e corrigir ao Madala Ernesto. ”oh Ernesto ,isto chama-se castanho, açúcar castanho”. Ernesto agradecia a explicação e como sempre a guardava em seu dicionário interior.

Se todos os brancos fossem como o sr Manuel, ele nem teria pensado em pegar em armas. Mas quando chegou a guerra civil Madala Ernesto teve de fugir, a guerra foi renhida, quase nada sobrou da antiga Mercearia e o Sr Manuel foi obrigado a fugir para o seu País. Foram 16 anos de sangue e gritos de dôr em Moçambique. Desta vez ele não entendeu o motivo da Guerra, antes eles lutavam contra um estrangeiro, mas depois era de irmão contra irmão, lutando por sei lá o quê. O pouco que havia em Moçambique foi destruído, até que se chegou a uma fase crítica, a fase do peixe e repolho, não havia mais nada no país além disso e isso era luxo. Durante os seus pensamentos Madala Ernesto saboreia o seu chá e sente o seu corpo com mais vida, pronto para mais um dia de trabalho. Após calçar os seus sapatos de trabalho, fartamente remendados por ele próprio, sim, por ele próprio. Quando não há carros para lavar, Madala Ernesto trabalha como sapateiro, concertando sapatos e chinelos de gente pobre, assim como engraxando! Pega no seu casaco, na sua mochila já velha, tão velha quanto ele e sai. Tranca a sua porta e inicia a marcha ao trabalho. Ops, ele esqueceu o candeeiro aceso. Volta a correr, abre a porta às pessas, apaga o maldito, dá uma palmada na sua cabeça e sorri para si mesmo enquanto pensa, ”he he he he que seria de mim pah? Podia até não arder a casa, mas de noite estaria lixado, não iria ter petróleo, era para eu ver as coisas de que geito? Tipo coruja e fazer grummm, grummmm heheheh” sai de casa sorrindo, ele é feliz, embora sózinho ele dá alegria aos seus dias enquanto respira neste mundo ingrato. Sim, tão ingrato quanto Danito ”esse tipo eu cuidei dele, pagar escola, nunca, mas nunca lhe mandei na escola sem lanche, sempre eu tinha de lhe dar algo, ou mandioca, ou bolacha, ou pão.. mas ele sempre levava alguma coisa, também estudava bem, isso me alegrava, então eu fazia de coração” dá passos sobre a terra molhada pela cacimba, envolve-se mais no branco dentro. ”Não se vê nada, porra, até parece estou a andar nas nuvens, he he he imagina só um anjo velho e solitário como eu” pelo silêncio que ainda envolve a região ,ouve um galo a cantar e o Madala não se alegra com isso ”Maldito bicho, quem te manda cantar? A esta hora você canta, imagina se eu confio em você, só vai me fazer atrasar no trabalho e voltar pra casa sem dinheiro e sem comida, equanto você tem as tripas cheias de farelo e ainda por cima um monte de galinhas para você marrimbar, caramba… ”Este pensamento “nervoso” faz-lhe apressar os seus passos, já se vê alguma vida entre os caminhos que o levam à cidade, é que o Madala vive no bairro do Chamanculo (um bairro suburbano da cidade de Maputo) alguns chapas (autocarros semi colectivos) já circulam entulhados de gente. O Madala olha e abana a cabeça ”antes andar com os meus pés, que ser uma sardinha imóvel enlatada” as pessoas reconhecem o mal, sabem que ele não é nada bom para a sociedade, com tudo, entregam-se ao mesmo, sob pretexto de não haver alternativa” isso não faz sentido, há gente que gosta de ser maltratada, se isso lhes preocupasse de verdade, fariam uma revolta… não se pode mudar nada em um povo sem uma insatisfação completa” xiiiiii”o Madala buscou uma palavra que há muito não usava, ou melhor, nunca havia usado, mas já havia ouvido, ”insatisfação”essa palavra já devia ter teias de ignorância, o madala sorri novamente para si próprio, até que não está tão mal assim, a sua cabeça ainda serve para algo, é tão triste ver gente menosprezando o seu saber, ele que faz parte da história de Moçambique, sim, pois ele lutou ao lado de vários politicos que hoje desfilam como se nunca tivessem ficado dias e dias sem tomar banho e a procurar gazelas entre o mato para poder comer algo, pois as Bases ficavam distantes, por vezes era preciso improvisar. Mas Madala Ernesto foi esquecido, uma vez foi ao Ministério do Interior reclamar os seus direitos. Uma senhora bonita porém mal educada lhe atendeu depois o de ter olhado dez vezes de baixo pra cima. ”O que deseja meu senhor?” o madala respondeu ”Falar com o Ministro, ele foi meu camarada na Guerra de Libertação Nacional, estavamos juntos na base, na província de Gaza, ele pode não saber meu nome mais vai me conhecer bem quando me vir, eu hei-de lhe lembrar” a senhora soltou uma gargalhada e chamou os seguranças para expulsarem o pobre velho. ”Tirem-me este demente daqui, seu tarado…”

O sol já se faz sentir, será um dia de calor infernal. A rua já se faz com vida, há meninos fardados indo à escola, os cobradores dos chapas iniciando os cantos habituais ”Compone esquelene, Baixo, baixooo…”

Suas tristes e doces lembranças lhe acompanham ao lugar onde ganha a vida. Seus pensamentos e recordações são companheiros fiéis que irão lhe acompanhar até ao último dia em que der o último suspiro neste mundo. Apesar das decepções que a vida lhe pregou, o seu sorriso mantem-se sempre aberto. Madala Ernesto lava os carros com sorriso nos labios ,entoando baixinho uma remota canção, daquelas que se cantava pelo mato no campo de batalha, assim como depois da guerra:

“Não vamos esquecer o tempo que passou,
Não vamos esquecer o tempo que passou,
Não vamos esquecer o tempo que passou,
Quem pode esquecer o que passouuuu?

São canções do tempo em que o patriotismo estava balançando entre os corações Moçambicanos, no tempo do Pai Samora Machel. Que cerimónia linda a do dia 25 de Junho de 1975, quando foi declarada a Independência Nacional da Republica de Moçambique. Madala Ernesto estava entre os tantos, esperançoso. Havia lutado pelo país e esperava um trabalho decente e era algo que lhe era devido. Houveram várias promessas naquela noite no banquete que foi oferecido aos militares, mas não passou disso. Nada foi cumprido! Agora, ele é mais um fustrado com o seu presente, saboreando o sabor da ingratidão de uma Nação!

“ A ingratidão dos povos é mais escandalosa que a das pessoas.”
( Marquês de Maricá )

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