Um incêndio de grandes proporções atingiu, na manhã deste domingo (1 de Novembro), o Serviço de Oncologia do Hospital Central de Maputo (HCM), provocando a destruição de parte das instalações e equipamentos destinados ao tratamento de pacientes com cancro. Os 22 doentes internados foram retirados em segurança, sem registo de vítimas mortais. O Governo garante que os tratamentos vão continuar, enquanto decorrem investigações para determinar as causas do fogo.
O incêndio foi detectado por volta das 7h10, quando uma enfermeira de serviço sentiu cheiro a fumo e procurou identificar a sua origem. Segundo a directora-geral do Hospital Central de Maputo, Farida Urci, a profissional deparou-se com uma situação de emergência, acompanhada de pequenas explosões, tendo imediatamente alertado os pacientes e os restantes profissionais de saúde.
A rápida intervenção permitiu retirar todos os doentes antes de as chamas se propagarem pelas instalações. Os 22 pacientes que se encontravam internados foram transferidos para outra enfermaria, onde deverão continuar a receber acompanhamento médico.
Equipas do Serviço Nacional de Salvação Pública (SENSAP) foram mobilizadas para combater o incêndio, que consumiu totalmente a parte superior do edifício. A intervenção dos bombeiros impediu que as chamas atingissem outros compartimentos, incluindo o piso térreo, onde funciona o Serviço de Radioterapia.
De acordo com as autoridades, os equipamentos e materiais utilizados na radioterapia não sofreram danos, apesar da dimensão do incêndio.
Governo promete garantir continuidade dos tratamentos
A Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, deslocou-se ao Hospital Central de Maputo para avaliar os estragos e acompanhar as medidas destinadas à recuperação dos serviços afectados.
Durante a visita, a governante garantiu que o Executivo está a trabalhar de forma coordenada para restabelecer a capacidade operacional da unidade hospitalar e evitar a interrupção da assistência aos pacientes oncológicos.
“O Governo está integralmente solidário com os pacientes, familiares e profissionais de saúde atingidos por este lamentável evento. Estamos a trabalhar de forma articulada para responder com eficácia, restaurar a operacionalidade dos serviços e garantir que nenhum paciente fique desamparado”, afirmou Benvinda Levi, citada pela Agência de Informação de Moçambique (AIM).
A Primeira-Ministra apelou igualmente à solidariedade da sociedade moçambicana, defendendo a mobilização de apoios para permitir que o Serviço de Oncologia volte a funcionar plenamente no mais curto espaço de tempo possível.
Ministro da Saúde considera incêndio um retrocesso para Moçambique

O ministro da Saúde, Ussene Isse, classificou o incidente como um grande retrocesso para o país, sobretudo numa altura em que estavam a ser registados avanços na expansão da cobertura dos cuidados especializados no tratamento do cancro.
O governante reconheceu a gravidade dos danos, mas assegurou que a prioridade das autoridades é garantir a continuidade dos tratamentos e o fornecimento de medicamentos aos pacientes.
“O mais importante é a continuidade dos serviços e nós estamos preparados e tudo faremos para que ninguém fique para trás e ninguém tenha falta de medicamentos nesta área da oncologia”, declarou.
Ussene Isse acrescentou que será realizado um levantamento detalhado dos prejuízos, seguido da elaboração de um relatório técnico que deverá orientar as medidas de recuperação das instalações e dos equipamentos destruídos.
Por sua vez, Farida Urci explicou que ainda não é possível determinar o valor dos danos materiais, uma vez que será necessário aguardar pela conclusão das avaliações técnicas. A responsável hospitalar admite que uma estimativa mais concreta possa ser apresentada ao longo da próxima semana.
Município de Maputo manifesta solidariedade
O presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, também visitou o Hospital Central de Maputo, onde manifestou solidariedade para com os pacientes, profissionais de saúde e familiares afectados.
O edil considerou o incêndio uma tragédia para o país, tendo em conta a importância do Serviço de Oncologia do HCM no atendimento de milhares de pacientes que necessitam de cuidados especializados.
Manhique recordou que o sector já enfrentava dificuldades relacionadas com a disponibilidade de medicamentos e as condições de atendimento, considerando urgente a mobilização de recursos nacionais e de parceiros de cooperação para recuperar as instalações.
O Conselho Municipal de Maputo manifestou disponibilidade para colaborar com as autoridades competentes nas acções de assistência e recuperação, dentro das suas atribuições.
Causas do incêndio continuam desconhecidas
Apesar da dimensão da destruição, as autoridades ainda não determinaram a origem do incêndio.
O Serviço Nacional de Salvação Pública confirmou que o fogo começou no interior do edifício e se propagou para a parte exterior, atingindo sobretudo a estrutura superior.
Está prevista uma avaliação técnica para esclarecer as circunstâncias em que as chamas deflagraram e identificar os factores que contribuíram para a sua propagação.
O incidente levanta preocupações quanto à capacidade de resposta dos serviços especializados de oncologia em Moçambique, particularmente para os pacientes que dependem do Hospital Central de Maputo para tratamentos regulares, incluindo quimioterapia e acompanhamento clínico.
Embora as autoridades garantam a continuidade da assistência médica, ainda não foi anunciado um calendário para a recuperação integral das instalações destruídas.
A prioridade imediata do Governo e da direcção hospitalar passa pela segurança dos pacientes, manutenção dos tratamentos e mobilização dos recursos necessários para restabelecer o funcionamento pleno do Serviço de Oncologia.














