Actualmente, mais de 600 mil pessoas encontram-se em situação de deslocação interna em todo o país, resultado directo dos efeitos das mudanças climáticas e da violência armada que assola a província de Cabo Delgado.
Os dados foram revelados pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INDG) durante a abertura de um fórum organizado em colaboração com a ONU Habitat, onde foi discutida a necessidade de garantir habitações adequadas para as populações afectadas.
Leovigildo Marcos, representante da divisão de coordenação da reconstrução pós-desastre, enfatizou a importância da união de esforços para proporcionar assistência efectiva. “Os nossos documentos estratégicos para o bem das pessoas deslocadas não devem ser meramente cosméticos, precisam ser transformados e colocados na prática”, salientou, apelando pela centralização do financiamento nos planos de apoio a deslocados.
Durante o evento, a Coordenadora das Nações Unidas em Moçambique, Catherine Sozi, destacou que é fundamental que o governo busque soluções duradouras que respeitem a vontade dos deslocados. “O propósito desta reunião é procurar soluções sustentáveis, permitindo que as pessoas tenham escolha sobre quando e para onde querem ir, garantindo que, independentemente da decisão, recebam uma qualidade de vida digna”, declarou Sozi.
Adicionalmente, a lentidão no processo de parcelamento de terras destinadas às vítimas foi apontada como um dos principais factores responsáveis pela permanência de muitos indivíduos em centros de acomodação há mais de um ano. A situação possibilita a necessidade urgente de reformas e acções concretas para apoiar adequadamente os deslocados internos no país.
















