Cleiton Michaque, um estudante do primeiro ano de Engenharia Electrónica na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), está a desenvolver um drone com capacidade para transportar até três quilogramas de carga e com autonomia de até 200 quilómetros.
O objectivo é facilitar a distribuição de medicamentos em áreas remotas de Moçambique, onde as condições de transporte terrestre são frequentemente limitadas por cheias ou estradas em mau estado.
“Em vez de usar a terra, podemos utilizar o ar, as vias aéreas. Desenvolvi este sistema de entrega para auxiliar os pilotos na distribuição de medicamentos”, afirmou Cleiton, em conversa com a Lusa. Ele observou as dificuldades enfrentadas por motociclistas na entrega de produtos essenciais em localidades afastadas da província de Maputo e decidiu adaptar tecnologias normalmente utilizadas em filmagens e competições para uma solução logística.
O protótipo do drone, actualmente em fase final de testes, já realiza voos experimentais de cerca de dois quilómetros a partir do bairro Tsalala, na cidade de Maputo. Equipado com GPS e um sistema de navegação autónoma, o aparelho segue rotas previamente programadas, entrega a carga no destino e regressa automaticamente ao ponto de partida. O modelo, que utiliza baterias importadas da África do Sul, permite actualmente voos com duração entre 30 a 45 minutos.
Para garantir a segurança, a carga máxima transportada nos ensaios foi limitada a dois quilogramas, embora tecnicamente suporte até três. Cleiton sublinha que este drone é capaz de continuar a operar mesmo em condições adversas, como ventos fortes.
O estudante começou a criar drones em 2019, recorrendo inicialmente ao computador do pai para aprender programação e electrónica de forma autodidata. O processo de construção de um drone exige conhecimentos sólidos de diferentes áreas, incluindo electrónica, programação, mecânica e impressão 3D, além de um investimento significativo, uma vez que a maioria dos componentes deve ser importada.
Com todos os materiais disponíveis, Cleiton estima ser capaz de produzir até cinco drones por dia, almejando chegar a uma centena em duas semanas. Contudo, destaca que aplicar esse conhecimento vai muito além de simplesmente juntar peças, referindo que é necessária uma abordagem meticulosa e prática para garantir o funcionamento adequado do equipamento.
Ao longo da sua jornada, Cleiton enfrentou desafios não apenas financeiros, mas também emocionais. Recorda noites sem dormir a resolver problemas de programação e momentos de frustração quando os primeiros drones não funcionavam como esperado. Contudo, o incentivo do seu pai foi crucial, ajudando-o na compra dos primeiros materiais.
Desde então, já construiu um total de 14 drones, que utiliza para diversas finalidades, incluindo filmagens, mapeamento e transporte, e guarda todos os protótipos num expositor no seu quarto. Recentemente, teve a oportunidade de participar em iniciativas internacionais de tecnologia, incluindo uma visita ao Japão, e tem sido convidado a apresentar o seu trabalho em várias instituições de ensino.
Paralelamente ao seu projeto, Cleiton criou o Centro de Criação e Controlo, onde já formou 17 jovens em pilotagem, programação e montagem de drones, com o intuito de oferecer alternativas de formação a jovens em situação de vulnerabilidade.
O estudante já recebeu propostas de colaboração de empresas interessadas em utilizar os drones para atividades de filmagem, cartografia e monitorização. Ele está a consolidar uma startup dedicada ao fabrico, manutenção e comercialização de drones, com o ambicioso objectivo de criar uma empresa moçambicana especializada na tecnologia de drones.
Além de continuar a desenvolver a sua startup, Cleiton também planeia candidatar-se a bolsas de estudo em várias partes do mundo, incluindo Japão, Portugal e Califórnia, Estados Unidos, tendo Portugal como prioridade devido à proximidade linguística, para aprofundar os seus conhecimentos e criar soluções adaptadas às necessidades de Moçambique.















