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ExxonMobil adjudica contractos de 1,1 mil milhões de dólares para o Rovuma LNG


A ExxonMobil, juntamente com os seus parceiros, adjudicou aproximadamente 1,1 mil milhões de dólares em contractos de pré-investimento para equipamentos destinados ao projecto Rovuma LNG, localizado na província de Cabo Delgado, em Moçambique.

Este avanço representa um dos sinais mais evidentes de que o megaprojecto de gás natural liquefeito está a caminho de uma decisão final de investimento, prevista ainda para este ano. A informação foi divulgada num comunicado pela ExxonMobil, ao qual a AIM teve acesso.

A gigante norte-americana tem acelerado os preparativos para a construção do projecto Rovuma LNG, o que reforça as perspectivas de concretização do maior projecto de gás natural liquefeito do país. O comunicado sublinha que a adjudicação dos contractos constitui um marco significativo, evidenciando o compromisso dos parceiros para com o desenvolvimento do projecto, que se tem encontrado condicionado por anos de instabilidade militar na província de Cabo Delgado.

A iniciativa surge num contexto de crescente pressão nos mercados internacionais de energia, exacerbada pelas perturbações no abastecimento originadas no Médio Oriente. Essa instabilidade tem reforçado os argumentos a favor da diversificação das fontes globais de GNL, podendo beneficiar projectos localizados fora do Golfo.

O Rovuma LNG esteve inactivo desde 2021, quando uma ofensiva de grupos armados islamistas forçou a suspensão das actividades na região de Palma, onde o projecto se encontra. Essa situação resultou em mortes e numa crise de segurança que impactou directamente os investimentos no sector do gás na região.

Embora os riscos continuem a ser um factor relevante, os promotores parecem determinados a preparar o terreno para uma retoma efectiva. No início deste mês, a ExxonMobil também assinou um contrato não vinculativo de engenharia e de aquisição com um consórcio de empreiteiros liderado pela italiana Saipem.

O custo global do Rovuma LNG é estimado em aproximadamente 30 mil milhões de dólares, posicionando-se como um dos maiores investimentos privados alguma vez concebidos em Moçambique. A ExxonMobil atua como operadora do projecto, em colaboração com a empresa italiana Eni, a chinesa CNPC, a sul-coreana Kogas e a XRG, de Abu Dhabi.

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A decisão final de investimento, anteriormente prevista para o final de 2025, foi adiada para 2026. Contudo, a recente aceleração nos contratos de pré-investimento eleva as expectativas de que a decisão venha a ser tomada ainda este ano.

Após uma visita à província, o relator especial das Nações Unidas, Ben Saul, manifestou que uma solução militar para o conflito não parece iminente, alertando para o agravamento da frequência e gravidade dos ataques contra civis ao longo do último ano. Para Alex Munton, director de gás e GNL global do Rapidan Energy Group, a situação de segurança na região continua a ser “grave, mas controlável”.

O analista observou que o contexto internacional está a criar uma oportunidade adicional para projectos como o Rovuma LNG, salientando que a pressão por diversificação do abastecimento, num cenário de perturbações prolongadas no fornecimento de GNL do Golfo do Médio Oriente, é um factor determinante.

Com cerca de um terço do fornecimento mundial de GNL a concentrar-se na região do Golfo, qualquer interrupção poderá forçar os grandes consumidores globais a procurar fontes alternativas de abastecimento, tornando Moçambique relevante nesse novo quadro.

O projecto Rovuma LNG, juntamente com outros projectos de GNL, passa a ser visto como uma alternativa viável para responder à crescente procura por fornecimentos mais diversificados geograficamente. A diretora de gás e GNL da consultora Energy Aspects, Livia Gallarati, destaca o interesse crescente dos mercados em torno do Rovuma, prevendo que a capacidade de produção do projecto atinja cerca de 18 milhões de toneladas de GNL anualmente, uma dimensão semelhante à unidade Golden Pass, no Texas, onde a ExxonMobil iniciou a produção em Março.

A ExxonMobil continua a expandir e diversificar a sua capacidade de produção em várias regiões do mundo, já com operações de GNL na Papua-Nova Guiné, Austrália e Qatar.

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