O governo de Moçambique apresentou um ambicioso plano agrícola orçado em dois mil milhões de dólares. A revelação foi feita pelo Ministro do Planeamento e Desenvolvimento, Salim Valá, durante uma visita de trabalho às áreas afectadas por inundações na província de Gaza, situada no sul do país.
O projecto, com duração de quatro anos, visa aumentar a produtividade, com especial enfoque nos pequenos produtores, sem descurar as cadeias de valor mais promissoras. Salim Valá sublinhou que o plano pretende apoiar as actividades agrícolas de mais de dois milhões de produtores nas zonas de rega do Baixo Limpopo, definidas como áreas prioritárias para a intervenção.
O ministro detalhou uma gama de medidas a serem implementadas em simultâneo, que incluem desde extensão e investigação agrícola até financiamento para produtores. Estão ainda previstas práticas como o uso de sementes melhoradas, adubos, fertilizantes e pesticidas, bem como a mecanização da agricultura e melhorias nas infraestruturas de irrigação. O objectivo é estabelecer uma agricultura fundamentada na ciência.
No dia 14 de Julho, empresários moçambicanos apelaram por um maior acesso a informações e sistemas de educação para os pequenos produtores, defendendo que são cruciais para facilitar a transformação digital no sector agrícola do país.
Mohamed Adam, responsável pelo portefólio de Inovação, Transformação Digital e Comunicação Social da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), fez estas declarações na 21.ª Conferência Anual do Sector Privado, onde defendeu a introdução de serviços destinados a melhorar a informação disponível para os agricultores, especialmente sobre tempestades e pragas, assim como serviços educativos.
Adilson Gomes, presidente da Agência de Transformação Digital e Inovação (ATDI), citou dados do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, que indicam que 70% da população moçambicana depende da agricultura. No entanto, lamentou que o sector contribui apenas com 25% para a economia nacional, um facto que atribuiu à limitada capacidade do Estado em identificar os cidadãos e suas necessidades.

















