O Governo moçambicano, em colaboração com parceiros de cooperação, está a desenvolver um modelo de irrigação agrícola adaptado às diversas realidades dos produtores locais, com o intuito de aumentar a eficiência, a sustentabilidade e a rentabilidade dos investimentos no sector agrícola.
Foi inaugurada em Maputo, a Plataforma de Irrigação de Moçambique (PIM), um espaço de diálogo permanente que reúne o Governo, sector privado, academia, sociedade civil e parceiros de desenvolvimento. Esta iniciativa visa repensar e coordenar as políticas e estratégias de irrigação no país.
Durante a cerimónia de lançamento, o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, enfatizou a importância da plataforma para superar a fragmentação na gestão do subsector e promover uma melhor articulação entre todos os intervenientes. “A Plataforma de Irrigação de Moçambique é o espaço que o Ministério está criando para discutir os problemas de irrigação, construção, manutenção, operação e utilização”, afirmou o ministro.
Um dos principais desafios identificados refere-se à adequação dos modelos de irrigação às diferentes realidades da agricultura em Moçambique. O ministro questionou sobre o futuro financiamento dos projectos de irrigação, se eles devem focar nos pequenos produtores familiares ou nos agricultores comerciais emergentes.
Roberto Albino sustentou que os investimentos devem ser direccionados para soluções específicas, que atendam às necessidades dos pequenos, médios e grandes agricultores. Reforçou que a irrigação deve ser vista como um sistema integrado, que envolve não apenas a construção de infra-estruturas, mas também o uso eficiente da água. “O sucesso dos investimentos depende da tecnologia, do conhecimento técnico e da capacidade de gestão”, frisou o governante.
Adicionalmente, alertou para a viabilidade económica das culturas escolhidas, explicando que existem casos onde o investimento em irrigação não é justificável devido a margens de lucro reduzidas.
Num cenário de mudanças climáticas, o ministro assegurou que a gestão eficiente da água será crucial para o futuro da agricultura no país, afirmando categoricamente: “A agricultura não se faz com chuva, a agricultura faz-se com água”.
Representando os parceiros de cooperação, a Chefe da Missão Diplomática do Reino da Bélgica em Moçambique, Delphine Perremans, destacou a importância da plataforma para melhorar a coordenação dos investimentos e eficácia das intervenções no sector. “Mais do que infra-estruturas, o desafio da irrigação exige coordenação, instituições fortes e uma visão partilhada entre todos os intervenientes”, afirmou.
A Plataforma de Irrigação de Moçambique funcionará como um mecanismo permanente de concertação, visando aprimorar o planeamento, a coordenação e a sustentabilidade da irrigação no país. Esta iniciativa é financiada através do mecanismo STEM, do Governo da Bélgica, implementado pela sua agência de desenvolvimento.
















