O Banco Mundial considera a abundância de recursos naturais em Moçambique como uma oportunidade significativa, mas sublinha que esta por si só não assegura o desenvolvimento do país.
A afirmação foi feita pelo Director da Divisão do Banco Mundial para Moçambique, Filipe Sissoko, durante a Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável, realizada na capital moçambicana.
Sissoko destacou a importância de canalizar as receitas provenientes dos recursos minerais e do gás natural para áreas vitais, como investimentos produtivos, infra-estruturas, educação e saúde. O responsável enfatizou que a riqueza gerada deve ser transformada em activos que impulsionem o crescimento económico e melhorem as condições de vida das populações.
Na sua intervenção, Sissoko recordou os desafios enfrentados por Moçambique nos últimos 25 anos e alertou para a necessidade de decisões estratégicas que promovam um desenvolvimento mais equilibrado. Reforçou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deve resultar em benefícios tangíveis, criando oportunidades para agricultores, trabalhadores, mulheres e jovens.
Para o futuro, o Banco Mundial traçou cinco prioridades para o desenvolvimento do país: transformação agro-industrial, desenvolvimento do capital humano, expansão das infra-estruturas, diversificação da economia e fortalecimento das instituições. Na agricultura, Sissoko defendeu a modernização do sector, expandindo os sistemas de irrigação e aumentando a produtividade, para assim garantir segurança alimentar e criação de empregos.
O Director destacou que o verdadeiro activo de Moçambique reside na sua população e enfatizou a importância de investimentos na educação, saúde e formação profissional, preparando os jovens para as exigências da agricultura moderna, indústria, turismo e economia digital.
O embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonino Maggiore, também participou do evento, afirmando que o futuro do país depende das decisões a serem tomadas actualmente, da força das instituições e da continuidade das políticas públicas. Maggiore considerou a conferência como uma oportunidade para reavaliar o percurso do país e definir prioridades para as próximas décadas, reforçando o compromisso da União Europeia em apoiar Moçambique de forma inclusiva e sustentável.
A Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável reúne, em Maputo, representantes do Governo, parceiros de cooperação, sector privado, sociedade civil e academia, com o intuito de debater a visão estratégica do país para os próximos 25 anos.

















