Economia Governo investe 177 milhões em Tete para apoiar MPMEs

Governo investe 177 milhões em Tete para apoiar MPMEs


O Governo de Moçambique anunciou um investimento de 177 milhões de meticais na província de Tete, tendo como objectivo o fortalecimento das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs), com particular ênfase no agronegócio.

Esta iniciativa visa transformar pequenos produtores em fornecedores competitivos, fomentar a criação de empregos e estabelecer ligações económicas robustas com os grandes investimentos existentes na região.

O financiamento, proveniente do Projecto Conecta Negócios, é gerido pelo Ministério das Finanças, com apoio do Banco Mundial e a operacionalização a cargo da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze. Este projecto insere-se num conjunto mais amplo de 562 milhões de meticais alocados a 26 empresas nas províncias de Tete, Cabo Delgado e Nampula.

Dentre as empresas seleccionadas, oito são da província de Tete, que absorveu cerca de um terço do total do investimento. Segundo Joel Sauane, especialista em desenvolvimento do sector privado, o principal objectivo é reforçar o desempenho das MPMEs através de laços económicos sustentáveis. “A primeira componente é o desenvolvimento de ligações económicas através de formações, melhoria da qualidade e financiamento”, elucidou.

Os dados apresentados revelam a amplitude da iniciativa. Para além das 26 empresas já financiadas, aproximadamente 7.000 empresas foram capacitadas nas três províncias alvo, com 200 microempresas seleccionadas para receber subvenções competitivas. Em termos de emprego, os resultados preliminares indicam a geração de 962 novos postos de trabalho, além da manutenção de mais de cinco mil empregos.

Foi também anunciada a abertura de duas novas janelas de financiamento, que totalizam cerca de 10 milhões de dólares, destinadas a apoiar aproximadamente 230 empresas. Uma das linhas irá apoiar 74 PMEs capacitadas a fornecer bens e serviços para os megaprojectos, enquanto a outra destina-se a financiar 100 microempresas com subvenções de 15 mil dólares cada.

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Nos distritos de Tsangano e Angónia, os efeitos positivos do financiamento já podem ser observados. O produtor Inácio Carneiro, em colaboração com a Mitete Comecial apoiada pelo Conecta Negócios, trabalha com 12 pequenos agricultores na cadeia produtiva de batatas e hortícolas, dirigidas principalmente ao mercado da cidade de Tete. Com o apoio recebido, o grupo adquiriu um camião frigorífico e outro de carga, além de sementes certificadas e armazéns.

A produtividade da batata aumentou de 20 para 35 toneladas por hectare, enquanto a área cultivada se expandiu de 10 para 50 hectares. O projecto também aposta na capacitação em agroprocessamento, uma área considerada crucial para reduzir as perdas pós-colheita que afetam a província.

Segundo o formador Daryoxon Varenção, a formação mostra aos pequenos empresários a viabilidade de transformar produtos e agregar valor. Por exemplo, o tomate pode ser convertido em massa de tomate, e a mandioca em farinha ou chips, criando novas oportunidades de negócio e melhorando a disponibilidade alimentar ao longo do ano.

Contudo, persistem desafios estruturais que podem obstar os progressos efectuados. Uma parte significativa da produção agrícola dos planaltos de Tsangano e Angónia é escoada para o Malawi e Zâmbia, sendo reexportada sob a etiqueta “Made in Malawi”, o que resulta na perda de receitas para Moçambique.

O Secretário de Estado do Comércio, António Grispos, advertiu para as perdas significativas causadas pela saída ilegal de produtos e pela evasão fiscal, que anualmente podem ultrapassar os 10 a 15 mil milhões de dólares, montante que representa mais de metade do Produto Interno Bruto nacional. Produtos como milho, soja, gergelim e feijão bóer estão entre os mais afectados por esta realidade.

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