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Escassez de combustíveis em Moçambique ligada à crise cambial e ao Médio Oriente

O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, veio a público esclarecer a recente crise de combustíveis que resultou em longas filas de veículos em postos de abastecimento em Maputo e outras cidades do país.

Durante uma conferência de imprensa realizada na manhã de segunda-feira, Zandamela vincou que esta situação não se deve apenas a factores locais, mas também à falência de distribuidores de combustível e à escassez de moeda estrangeira, especialmente dólares americanos.

O governador afirmou que as instituições bancárias comerciais têm estado a financiar as importações de combustíveis, mas as entidades que deveriam ter acesso a estas garantias de crédito encontram-se em dificuldades financeiras. “Os postos de abastecimento estão, por diversas razões, em situação de insolvência; não possuem meticais entre outros problemas”, salientou.

Normalmente, os distribuidores de combustíveis dependem de garantias bancárias, denominadas em dólares, para efectuar os pagamentos pelos produtos que demandam nos portos. Contudo, muitos distribuidores enfrentam a impossibilidade de adquirir estas garantias junto dos bancos comerciais.

A crise do sector está a ser exacerbada pela guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, bem como pelo encerramento do Estreito de Ormuz, que responde por quase 20% do comércio mundial de petróleo. Este contexto levou o governo a aumentar, no início de Maio, os preços dos principais combustíveis em até 45,5%.

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Cerca de 80% das importações de combustível de Moçambique são efectuadas através de rotas ligadas ao Estreito de Ormuz, tornando a situação geopolítica no Médio Oriente potencialmente devastadora para a economia nacional.

Zandamela salientou, no entanto, que o papel dos bancos no processo de importação, incluindo a emissão de garantias para compras externas, está a ser cumprido. “Observamos que os bancos estão a fazer tudo o que é possível para apoiar. Os dados demonstram que eles estão comprometidos e priorizam a fartura do combustível nas suas decisões relacionadas com a alocação de fundos em moeda estrangeira”, afirmou.

O governador acrescentou que as instituições bancárias estão a priorizar a emissão de garantias para estas importações, embora a concessão dependa da solidez financeira dos distribuidores de combustível. “Não temos um problema na emissão de garantias para aqueles mutuários que possuem o perfil de crédito apropriado e a capacidade necessária”, assegurou.

Em relação ao uso das garantias disponíveis, Zandamela indicou que a utilização por parte dos retalhistas de combustível está bem abaixo dos limites, o que leva a que “o processo de alocação de fundos para as importações de combustível seja monitorado de perto pelo governo”.

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