Ousmane Sonko, primeiro-ministro do Senegal, qualificou o recente golpe de Estado na Guiné-Bissau como uma “combinação”, referindo-se à destituição do Presidente Umaro Sissoco Embaló por parte de militares.
As declarações foram veiculadas pela Senego TV e partilhadas nas redes sociais, gerando reacções entre os guineenses.
Sonko apresentou essas considerações durante uma sessão com deputados, onde fez alusão à situação política tensa no país vizinho. O Presidente embargado, Sissoco Embaló, chegou a Dacar na noite de quinta-feira, após o governo senegalês ter fretado um avião para o transportar, juntamente com alguns dos seus colaboradores.
O primeiro-ministro elogiou a posição do Presidente da República do Senegal em relação ao caso, mas expressou a sua preocupação com a detenção de Domingos Simões Pereira, líder da oposição, que ocorreu durante o golpe. Simões Pereira não se encontrava entre os candidatos às eleições presidenciais, um facto que foi sublinhado por Sonko. “Que o libertem o mais rapidamente possível”, pediu, instando os militares a facilitar a conclusão do processo eleitoral que foi abruptamente interrompido.
O general Horta Inta-A foi empossado como Presidente de transição na Guiné-Bissau, numa cerimónia realizada no Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses, no dia seguinte ao golpe, que teve lugar antes da divulgação dos resultados das eleições gerais realizadas a 23 de Novembro.
Os militares não só destituíram Sissoco Embaló, como também suspenderam o processo eleitoral, os meios de comunicação social e impuseram um recolher obrigatório, gerando um ambiente de incerteza no país. As eleições, que decorreram sem incidentes, foram marcadas pela ausência do principal partido da oposição, o PAIGC, e do seu candidato, Domingos Simões Pereira, excluídos da corrida e que manifestaram o seu apoio ao opositor Fernando Dias da Costa.
A situação política na Guiné-Bissau está a ser contestada pela oposição, que a denúncia como uma manobra destinada a obstruir a divulgação dos resultados eleitorais.
Os serviços da agência Lusa na Guiné-Bissau estão suspensos desde agosto, em virtude da expulsão de representantes dos órgãos de comunicação social portugueses pelo governo local. A cobertura da situação tem sido feita à distância.
















